por dentro e por fora, quase sem dar por isso, devagarinho, como uma Primavera que chega depois do Inverno, sem aparatos.
Vemo-nos por fora, no reflexo que nos devolve o espelho, uns dias magras e sem olheiras, generosas connosco e com o mundo, noutros cheias de gordura localizada e com os brancos a criar raizes por dentro de nós.
Não nos vemos por dentro. Mas sabemos que as artérias estreitam a cada lanço de escadas mais lento que o anterior e que, algures no sistema, milhões de células morrem para não mais se renovar. Isto sempre que temos a suprema sorte de as gajas não desatarem a dar em transformistas e a comer a vizinha do lado e a espalhar-se por tudo quanto é linfa, quais ervas daninhas em campo cultivado.
Sabemos que a mudança se opera de todas as vezes que adormecemos e acordamos ou quando deixamos de dormir à espera que o nosso filho mais velho regresse da sua primeira saída nocturna com amigo/as. Mudamos, nem que seja porque o nosso sorriso já marca duas ou três linhas de cada lado do rosto ou porque já há muito tempo que ninguém nos diz que, "com esses olhos" conquistaremos planetas desconhecidos. Mudamos, ainda que nos consideremos iguais, genuínos como no dia em que descobrimos quem éramos e o que queríamos deixar feito neste mundo.
Mudamos.
E, ainda assim, acreditamos que continua a haver terra selvagem por desbravar em nós.
* às vezes há que fazer uns reposts do tempo em que ainda sabíamos escrever...
Comentários
Olha, passa pelo Pópulo que faz hoje anos e há bolo!
E olha, o template é para compensar a falta de escrita de 'cólidade'...lá vou fazendo uns reposts mas de resto é a miséria. :-)
E bem vinda a este outro "ponto".
:-)