pequenos movimentos, subtis, suaves.
Por entre a penumbra transparente, havia vida. Talvez adormecida, à espera do tempo melhor, ou suspensa, sem data marcada para eclodir. Autónoma, sem depender de cordões umbilicais ou outras ligações a qualquer fonte de alimentação mas, ainda assim, vida.
Esforçando um pouco mais a vista é possível observar traços suaves, rebordos arredondados, penugem clara. E, se nos aproximarmos, muito mas mesmo muito de perto, sente-se um aroma ténue a flores do campo e maresia. Flores brancas, lírios ou, se calhar, esteva.
Não se sabe há quanto tempo está assim. Apesar de ser fácil de observar, é difícil determinar pormenores, a idade, o que sente quando o sol rompe delicadamente por entre as suas mãos, aquilo que vê através dos olhos claros, do que gosta, o que ama, aquilo que abomina. Só depois de longos meses de aturado estudo e muita persistência, estes detalhes simples passam a saltar à vista, quase sem que seja necessário procurá-los. De uma coisa não restam dúvidas, sente. Sente estímulos, o ar frio das manhãs, o cheiro a azinho queimado, o embate de uma frase genial escrita num livro antigo. Sente o doce e o amargo, o quente de um beijo ternurento nos lábios, o amor incondicional da mão que lhe acaricia os cabelos, a imensidão da lua.
Sente e reage, com movimentos subtis, sinais de fácil interpretação apenas para um olhar atento, como uma escrita antiga que só decifra quem tem a paixão da descoberta.
De dentro da crisálida protectora irromperá vida. Em hora e data incerta, um dia.
Por entre a penumbra transparente, havia vida. Talvez adormecida, à espera do tempo melhor, ou suspensa, sem data marcada para eclodir. Autónoma, sem depender de cordões umbilicais ou outras ligações a qualquer fonte de alimentação mas, ainda assim, vida.
Esforçando um pouco mais a vista é possível observar traços suaves, rebordos arredondados, penugem clara. E, se nos aproximarmos, muito mas mesmo muito de perto, sente-se um aroma ténue a flores do campo e maresia. Flores brancas, lírios ou, se calhar, esteva.
Não se sabe há quanto tempo está assim. Apesar de ser fácil de observar, é difícil determinar pormenores, a idade, o que sente quando o sol rompe delicadamente por entre as suas mãos, aquilo que vê através dos olhos claros, do que gosta, o que ama, aquilo que abomina. Só depois de longos meses de aturado estudo e muita persistência, estes detalhes simples passam a saltar à vista, quase sem que seja necessário procurá-los. De uma coisa não restam dúvidas, sente. Sente estímulos, o ar frio das manhãs, o cheiro a azinho queimado, o embate de uma frase genial escrita num livro antigo. Sente o doce e o amargo, o quente de um beijo ternurento nos lábios, o amor incondicional da mão que lhe acaricia os cabelos, a imensidão da lua.
Sente e reage, com movimentos subtis, sinais de fácil interpretação apenas para um olhar atento, como uma escrita antiga que só decifra quem tem a paixão da descoberta.
De dentro da crisálida protectora irromperá vida. Em hora e data incerta, um dia.

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Comentários
Bonito, parceira. Sou um devoto deste lado da tua escrita.
E da mulher que te sei.
(e a imagem, hein? Ganda malha, ou não?)
E é mesmo, quando sai de dentro, a escrita é um torvelinho, nada a consegue parar.