
aqui
Resisto, quase sempre, a sair daquele limbo que nos separa o sono da vigília.
É nessa hora de formas indefinidas, metade penumbra metade luz a querer desafiar a retina, que sou mais livre. Quando o sonho ainda não se esfumou por completo embora já não deixe de ter laivos de realidade misturados.
Na semiconsciência é quando sei melhor o que sou e o que idealizo ser. Possuo, nessa altura, uma casa de pedra escura, antiga, com uma cerca de madeira à volta. Visto-me de branco, de seda esvoaçante, etérea e passo a maior parte do tempo descalça na relva. Tenho, muitas vezes, uma caneca fumegante na mão e há alguém que vem, de mansinho, pousar-me uma manta nos ombros. Talvez seja para me proteger dos salpicos de mar que me humedecem a face, à medida que as ondas se esmagam contra a falésia. Ou apenas porque isso lhe dá a oportunidade de me abraçar e aconchegar a si, para assim melhor poder aspirar-me o perfume dos cabelos.
É possível que nos recolhamos depois, para o interior da casa, um mundo de aromas de cedro e laranjas e que o linho fresco dos lençóis nos transporte aos poucos para dentro desta obscuridade suave que agora se desprende dos retalhos de luz da gelosia.
Abro os olhos.
Quandos sabemos o que ambicionamos, a lucidez é o mais terrível dos inimigos.
Comentários
O texto apenas fala de sonhos. Achas-me com cara de ser dona de uma casa na falésia? ;-)
E aí podes tar a referir-te ao facto de o teu banco não te emprestar a massa necessária, né? :)
nunca te esqueças disso
e deixa lá a porcaria do inimigo de fora, ou então faz melhor, deita-te com ele ;-)