que fazem-me falta os meus mortos
Também se percebe que não mantenho este blog propriamente para que seja um sucesso de audiências. Senão não escreveria estas coisas assim pro urbano-depressivo.
Mas é para isso que me serve este blog, para estas catarses que ocorrem nas madrugadas de pois das festas e dos copos (só ai) e que não interessam a ninguém a não ser a mim e aos amigos do peito que aqui se manifestam logo que percebem que o estado de espírito já conheceu melhores dias.
Só que a vida não se faz disto, a minha vida não se faz, definitivamente, de momentos baixos. Antes pelo contrário. Apenas os outros não passam por aqui. Esses acontecem lá fora, nos serões de boa comida e vinho, de risos e histórias, de músicas e calor dos amigos. Esses são íntimos e não se exibem. Só interessam a quem os vive e partilha.
Siga então a dança, este blog vai andando para o lado que me der.
Era só isto.
Comentários
Estou alegre e o motivo
beira secretamente à humilhação,
porque aos 50 anos
não posso mais fazer curso de dança,
escolher profissão,
aprender a nadar como se deve.
No entanto, não sei se é por causa das águas,
deste ar que desentoca do chão as formigas aladas,
ou se é por causa dele que volta
e põe tudo arcaico, como a matéria da alma,
se você vai ao pasto,
se você olha o céu,
aquelas frutinhas travosas,
aquela estrelinha nova,
sabe que nada mudou.
O pai está vivo e tosse,
a mãe pragueja sem raiva na cozinha.
Assim que escurecer vou namorar.
Que mundo ordenado e bom!
Namorar quem?
Minha alma nasceu desposada
com um marido invisível.
Quando ele fala roreja
quando ele vem eu sei,
porque as hastes se inclinam.
Eu fico tão atenta que adormeço
a cada ano mais.
Sob juramento lhes digo:
tenho 18 anos. Incompletos.
Sabes exactamente o que me atormenta. Só tu, só tu...
Cris, obrigada por seres assim, atenta E presente. Bejo.