De repente, sem saber por onde entrara, eu tinha a lua comigo.
Não era a
primeira vez, não, não era. A primeira vez havia sido há muitos anos:
adormecera na eira sobre o feno e, quando acordei a lua estava a meu lado e
fizera da noite um interminável e azul lago de prata. Eu flutuava no luar
espesso, pesava menos que uma folha de papel. Todo o esforço que fazia era
para não me desprender do solo, como se a acção da gravidade não me dissesse
respeito, e flutuar no espaço fosse a minha vocação.
primeira vez, não, não era. A primeira vez havia sido há muitos anos:
adormecera na eira sobre o feno e, quando acordei a lua estava a meu lado e
fizera da noite um interminável e azul lago de prata. Eu flutuava no luar
espesso, pesava menos que uma folha de papel. Todo o esforço que fazia era
para não me desprender do solo, como se a acção da gravidade não me dissesse
respeito, e flutuar no espaço fosse a minha vocação.
Se o vento vier, não
tenho mais remédio que abandonar-me e ver até onde me levam os seus
espíritos.
tenho mais remédio que abandonar-me e ver até onde me levam os seus
espíritos.
Eugénio de Andrade,
Sempre.
Comentários
Kiss
Obrigada, beijo. :-)