sento-me e escrevo.
Afasto para trás das costas, para longe bem longe, o peso que me pesa e carrega nos ombros, o peito, os olhos, sempre se me notaram as mágoas nos olhos, desde sempre, e escrevo. Lavo-me da maledicência, das altercações, da ignomínia, da revolta e da injustiça, como quem passa água fresca e sabão pelo corpo todo, escrevendo.
Aqui chego e encontro este porto onde me acolho, cansada, magoada, após ter atravessado poderosa borrasca. E ter sobrevivido. Acolho-me aqui e descanso.
Regenero-me, mais uma vez, tantas vezes. Escrevendo.
Sento-me aqui e escrevo para não mais morder os lábios, a lingua, a vontade inteira, num esforço titânico para engolir e calar, ponderar, reflectir e calcular e empurrar para dentro aquilo que devia gritar, anunciar a néon, com a força toda da razão que sei que me assiste. Sabemos. Eu e, felizmente, muitos outros.
Escrevo aqui, porque é aqui que desato a mordaça que me imponho, que sou obrigada a impôr-me, que me rasga a carne e sufoca e oprime mas que não posso tirar. A não ser aqui.
Sou só um pequeno pássaro, de asas abertas contra o vento que me empurra, que me quer levar por aí. Onde não quero ir e não irei.
Porque sei que, persistindo, seguindo sem medo o caminho que escolhi, tenho à minha espera o ninho que me é devido.
Afasto para trás das costas, para longe bem longe, o peso que me pesa e carrega nos ombros, o peito, os olhos, sempre se me notaram as mágoas nos olhos, desde sempre, e escrevo. Lavo-me da maledicência, das altercações, da ignomínia, da revolta e da injustiça, como quem passa água fresca e sabão pelo corpo todo, escrevendo.
Aqui chego e encontro este porto onde me acolho, cansada, magoada, após ter atravessado poderosa borrasca. E ter sobrevivido. Acolho-me aqui e descanso.
Regenero-me, mais uma vez, tantas vezes. Escrevendo.
Sento-me aqui e escrevo para não mais morder os lábios, a lingua, a vontade inteira, num esforço titânico para engolir e calar, ponderar, reflectir e calcular e empurrar para dentro aquilo que devia gritar, anunciar a néon, com a força toda da razão que sei que me assiste. Sabemos. Eu e, felizmente, muitos outros.
Escrevo aqui, porque é aqui que desato a mordaça que me imponho, que sou obrigada a impôr-me, que me rasga a carne e sufoca e oprime mas que não posso tirar. A não ser aqui.
Sou só um pequeno pássaro, de asas abertas contra o vento que me empurra, que me quer levar por aí. Onde não quero ir e não irei.
Porque sei que, persistindo, seguindo sem medo o caminho que escolhi, tenho à minha espera o ninho que me é devido.
Comentários
E afinal, tal como eu também te sentes o tal pássaro que voa em direcção ao ninho.
Sempre tive a mania que se não fosse um ser humano seria um pássaro, é a minha mais forte imagem de liberdade - mesmo com o vento contra ele, vai para onde quer!
gosto muito quando escreves assim.
agora comoveste-me, com essa ultima frase tão singela mas tão forte no alento que consegue dar a quam a ouve. Obrigada, sim?
Também estou contigo quanto ás imagens de liberdade, sem dúvida que o pássaro é a mias forte e bela que podemos encontrar. Foi mesmo por isso que a usei neste post. Um beijo, amiga.
Desculpa, amiga sou franca contigo mas sinto-me verdadeiramente atrapalhada.
Se é ficção amiga, digo-te que é belissima, se é verdadeira só posso dizer-te: Pará de escrever, tira a mordaça e grita se é isso que tens na vontade.
Viver sendo livre é a suprema felicidade.
Desculpa!
Mas são momentos, momentos que vivemos assim apenas. No final, estará sempre o ninho. O truque está em renovar forças, para o aguentar enquanto durar. O momento.
Não tens que pedir desculpa por nada, ora essa! :-)
perdoem os erros de quando se escreve mais rápido que o pensmaento...
Não há Festa Como Esta!
Até já :-)
Beijinhos
Tem calma contigo, maria.
E calma é coisa que, se não tivermos, compra-se. :-)))
Beijo