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Sempre que

escrevo um texto que me toca muito, que me expõe e emociona, que me sai da ponta de dedos que tremem, assim como que me consumo nele e deixo-me ficar por ali. Como se me esgotasse, ao dar de mim o melhor e precisasse retemperar forças, reunir-me os bocadinhos todos outra vez, recolher as partes que vos dei e voltar a ser inteira, para poder continuar.
Nunca me apetece muito escrever, a seguir a um texto desses. Como o de ali de baixo, o que fala da Festa e dos afectos. Se calhar é porque gosto de o saborear, de o ter ali à mão, de o deixar fazer parte de mim mais um bocado. Porque, se o deixar ir, sou capaz de me esquecer que ele existiu em tempos dentro de mim e passou depois a viver aqui, ao vosso dispôr.
Ou talvez porque sinto, se calhar, algum pudor em o empurrar para baixo, para o fundo do armário dos textos bonitos que escrevi um dia e ninguém hoje lê. Nem sequer eu.

Comentários

Susete Evaristo disse…
Compreendo-te amiga só que os tais textos que emocionam (que me emocionam) e que um dia também escrevi, ou escrevo e que dizem de mim aquilo que só eu sinto, ainda não fui capaz de publicar. Sinto-os muito meus, muito eu, eu por inteiro sem constrangimentos, não que tenha nada a esconder, mas a mulher que sou no mais fundo do meu ser os sonhos, as escolhas que fiz boas ou menos boas, as vivências e até as desilusões, que mais senti ao longo da minha vida.
Será que alguma vez serei capaz de me expôr completamente através deles?
Mar disse…
Amiga, todos nos sentimos, em algum momento, limitados pela exposição a que estamos sujeitos por aqui, quando já sabem quem somos. Nem toda a agente é boa, tá bem de ver, e muitas vezes, o que escreves és tu tão inteira que nem os amigos te conhecem assim. Não é fácil dar isso de barato a quem nos quer mal.
Eu imponho-me limites, também, como calculas.
Mas podes sempre ficcionar ou então publicar num blogue mesmo anónimo. :-)
Anónimo disse…
Escrever é batermo-nos com tinta para nos fazermos compreender e escrever acerca daquilo que gostamos... Kiss
Mar disse…
E eu sempre achei que era muito mais capaz de me exprimir por palavras de tinta do que pelas outras...mesmo falando pelos cotovelos. :-)
Beijoca pra ti.

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