ser paciente, sabes?
Dizia o ancião enquanto olhava as mãos calejadas e escuras que afagavam com ternura incontida o cabo gasto do cajado. Falava devagar e baixo, com os olhos postos nas mãos, como se certas palavras tivessem que ser sussurradas em vez de ditas, a olhar um ponto fixo em vez ditasolhadas de frente nos olhos. Para não dar azar. Os velhos têm muito respeito pelas coisas que não se conseguem explicar e, pelo sim, pelo, não, nunca afrontam essas forças misteriosas que fazem girar o mundo. Um esconjuro lá de quando em vez, para afastar maus-olhados e as coisas importantes ditas baixo, baixinho, por entreportadas fechadas, que as paredes têm ouvidos.
Dizia-lhe, com a voz lenta dos que já não têm que gritar para se fazer ouvir e olhos serenos, daqueles onde já não entra o medo, "há que saber esperar, sabes?".
Há que saborear devagar, cheirar e sentir cada pedacinho de vida que aí vem, é preciso aprendê-la aos poucos, olhar com curiosidade mas sem afogueamento. É quando menos se espera que ela se nos revela, nos abre as portas do mistério e da magia e nos deixa entrar nos seus domínios. Não é para qualquer um esta sabedoria. Nem todos são capazes de entender que o conhecimento só se obtém ao estudar as cores da lua, a força do vento que vem de Norte e de repente vira Suão, as nuances das marés e o que as empurra para nós ou as chama até si, lá para longe.
Não saber estas verdades e espantos é não ter acesso à metade mais sumarenta do fruto que se nos oferece provar.
Dizia o ancião enquanto olhava as mãos calejadas e escuras que afagavam com ternura incontida o cabo gasto do cajado. Falava devagar e baixo, com os olhos postos nas mãos, como se certas palavras tivessem que ser sussurradas em vez de ditas, a olhar um ponto fixo em vez ditasolhadas de frente nos olhos. Para não dar azar. Os velhos têm muito respeito pelas coisas que não se conseguem explicar e, pelo sim, pelo, não, nunca afrontam essas forças misteriosas que fazem girar o mundo. Um esconjuro lá de quando em vez, para afastar maus-olhados e as coisas importantes ditas baixo, baixinho, por entreportadas fechadas, que as paredes têm ouvidos.
Dizia-lhe, com a voz lenta dos que já não têm que gritar para se fazer ouvir e olhos serenos, daqueles onde já não entra o medo, "há que saber esperar, sabes?".
Há que saborear devagar, cheirar e sentir cada pedacinho de vida que aí vem, é preciso aprendê-la aos poucos, olhar com curiosidade mas sem afogueamento. É quando menos se espera que ela se nos revela, nos abre as portas do mistério e da magia e nos deixa entrar nos seus domínios. Não é para qualquer um esta sabedoria. Nem todos são capazes de entender que o conhecimento só se obtém ao estudar as cores da lua, a força do vento que vem de Norte e de repente vira Suão, as nuances das marés e o que as empurra para nós ou as chama até si, lá para longe.
Não saber estas verdades e espantos é não ter acesso à metade mais sumarenta do fruto que se nos oferece provar.
Comentários
É uma ciência, isso de se saber esperar. E aprende-se, embora haja quem pense que não.
É contudo importante querer aprender. Ha quem considere que é impaciente por natureza, e ... pronto!
Mas essa capacidade de saber esperar dá às coisas quando alcançadas muito mais doce sabor.
Kiss