Fotos: Mar a passar-se com a porcaria dos pixelscoiso do telelé XPTO, é mas é o tanas que tirei fotos muito melhores com outros cujos pixelcoisos eram muito menos e eu é que não devo saber configurar aquela porra e só me apetece deitá-lo pela janela e é já.
Há coisas que nos fazem ser quem somos e não outras pessoas quaisquer.
Os valores que algém nos ensinou, a sensibilidade, humildade e generosidade que conseguimos conquistar e ir pondo em prática ao longo da vida, os pequenos nadas de que gostamos.
As pessoas que passaram por nós e deixaram o seu rasto de amizade e esperança inscrito na nossa vida para sempre. Ao mesmo tempo que guardaram consigo, elas próprias, um pedacinho de nós.
Ter sido amiga da Xana, do Flak e do Alex, há longínquos 20 anos, fez de mim aquilo que sou hoje e que, a não ter acontecido, me teria feito outra pessoa qualquer.
Não sabia o que era o mundo da música em portugal, não fazia idéia do que se passavam os jovens músicos à procura do seu espaço nesse panorama. Era fã dos do costume, Pink Floyd, Doors, Genesis, os cantores de Abril todos em geral e o Zeca em particular, gostava dos Xutos e Pontapés.
Os Rádio Macau apareceram-me de repente em cima de um palco da Festa do Avante, uns putos giros nas violas e uma miuda magra, de ar frágil e voz profunda. Eu, por minha vez miuda magra e de ar frágil embora de voz normal, toda eu normal, sentada no chão por entre fumos de ganza vindos de todo o lado ouvia perguntar, mas estes gajos são quem? são os Rock & Vários? não pá parece que ouvi outro nome qualquer. Rádio Macau. Rádio Macau, repeti eu ao gajo de ar lunático-eufórico a meu lado, para desligar dele e do resto logo a seguir, enquanto bebia por todos os poros a voz da Xana, o sorriso, os gestos, o ar de quem enquanto canta paira, por momentos, num lugar qualquer muito distante dali.
Foi um concerto marcante e decisivo, corria o ano de 1983 e eu pela primeira vez sózinha a viver em Lisboa, 19 aninhos de idade. Acho que os conheci ainda no decurso dessa Festa. Por intermédio de um amigo deles, fotógrafo, lá fui apresentada e passei a partilhar o dia a dia com este grupo de quase adolescentes que tentava sobreviver a partir de um sonho. Morar ali ao lado, ajudava a que os dias se cruzassem com as noites até altas horas, na vivenda do Algueirão, por entre ensaios, muita garra de viver, alguns concertos e, pelo meio, conversas filosóficas sobre tudo e sobre nada.
Reencontrarmo-nos é sempre uma festa. Passaram por nós 20 anos que não deixaram mais marcas do que aquelas que se vincam na pele. O espírito é o de quem ainda procura agarrar na "lua que está longe e mesmo assim" os sonhos que fazem a vida girar, a conversa continua como se ainda há pouco tivéssemos fechado a porta de casa para ir actuar ali no Rock Rendez Vous. Despedimo-nos com até logos, volto já, até mais daqui a uns dias talvez anos sendo certo que havemos de nos encontrar de novo, tu estás igual, estamos na mesma, não acham?, somos todos os mesmos de sempre.
Sabe bem sermos amigos. É bom saber que ainda há pessoas que valem a pena.
Os valores que algém nos ensinou, a sensibilidade, humildade e generosidade que conseguimos conquistar e ir pondo em prática ao longo da vida, os pequenos nadas de que gostamos.
As pessoas que passaram por nós e deixaram o seu rasto de amizade e esperança inscrito na nossa vida para sempre. Ao mesmo tempo que guardaram consigo, elas próprias, um pedacinho de nós.
Ter sido amiga da Xana, do Flak e do Alex, há longínquos 20 anos, fez de mim aquilo que sou hoje e que, a não ter acontecido, me teria feito outra pessoa qualquer.
Não sabia o que era o mundo da música em portugal, não fazia idéia do que se passavam os jovens músicos à procura do seu espaço nesse panorama. Era fã dos do costume, Pink Floyd, Doors, Genesis, os cantores de Abril todos em geral e o Zeca em particular, gostava dos Xutos e Pontapés.
Os Rádio Macau apareceram-me de repente em cima de um palco da Festa do Avante, uns putos giros nas violas e uma miuda magra, de ar frágil e voz profunda. Eu, por minha vez miuda magra e de ar frágil embora de voz normal, toda eu normal, sentada no chão por entre fumos de ganza vindos de todo o lado ouvia perguntar, mas estes gajos são quem? são os Rock & Vários? não pá parece que ouvi outro nome qualquer. Rádio Macau. Rádio Macau, repeti eu ao gajo de ar lunático-eufórico a meu lado, para desligar dele e do resto logo a seguir, enquanto bebia por todos os poros a voz da Xana, o sorriso, os gestos, o ar de quem enquanto canta paira, por momentos, num lugar qualquer muito distante dali.
Foi um concerto marcante e decisivo, corria o ano de 1983 e eu pela primeira vez sózinha a viver em Lisboa, 19 aninhos de idade. Acho que os conheci ainda no decurso dessa Festa. Por intermédio de um amigo deles, fotógrafo, lá fui apresentada e passei a partilhar o dia a dia com este grupo de quase adolescentes que tentava sobreviver a partir de um sonho. Morar ali ao lado, ajudava a que os dias se cruzassem com as noites até altas horas, na vivenda do Algueirão, por entre ensaios, muita garra de viver, alguns concertos e, pelo meio, conversas filosóficas sobre tudo e sobre nada.
Reencontrarmo-nos é sempre uma festa. Passaram por nós 20 anos que não deixaram mais marcas do que aquelas que se vincam na pele. O espírito é o de quem ainda procura agarrar na "lua que está longe e mesmo assim" os sonhos que fazem a vida girar, a conversa continua como se ainda há pouco tivéssemos fechado a porta de casa para ir actuar ali no Rock Rendez Vous. Despedimo-nos com até logos, volto já, até mais daqui a uns dias talvez anos sendo certo que havemos de nos encontrar de novo, tu estás igual, estamos na mesma, não acham?, somos todos os mesmos de sempre.
Sabe bem sermos amigos. É bom saber que ainda há pessoas que valem a pena.



Comentários
Diverte-te!
Mas o melhor de tudo é a atitude deste grupo, a postura de simplicidade que os caracteriza, a coerência com o que foram e que não se alterou pelo facto de hoje serem estrelas reconhecidas. É de pessoas assim que falo. :-)
Foi uma pérola este concerto, a forma como eles se comportaram em palco apesar do início com a "casa" meio-cheia, a brincadeira com o público, a puxar pelos ânimos, o "encore" com a xana e o flak em cumplicidade absoluta. Lindo, digo eu que sou suspeita mas sei que digo a verdade.