É por isto que eu gosto da Primavera! É o tempo do renascimento, de sairem da toca os animaizinhos que hibernaram durante os gélidos dias da estação das chuvas. Cheia de tempestades e incertezas, de negrume e muito medo de, a cada dia, o tempo piorar e a ventania mais os sismos e maremotos pudessem não deixar nem um tijolo de pé.
Logo que começam as primeiras abertas e um raiozinho fininho de sol atravessa o centro de baixas pressões, eis que retornam, em todo o seu esplendor, os exemplares mais representativos da fauna e flora de cada região. É vê-los a esgaravatar furiosamente os montes de entulho com que se cobriram para escapar à intempérie. Tentando passar despercebidos, sobrevivendo através das camadas de gordura acumulada durante os fartos tempos dos Verões passados, silenciosos e rasteiros, conseguiram ultrapassar o pior do periodo invernoso. Agarrando oportunidades, atentos para saltar sobre o vizinho do lado e antecipar-se, sempre que um pequeno bago ou semente lhes caía nos braços enregelados. Que a escassez não é compatível com esquisitice e há que agarrar o que vier à rede mesmo que antes se tivesse torcido o nariz ao mesmo acepipe. A esperteza do instinto da formiga a sobrepôr-se à beleza da cantoria da cigarra, que esta não enche barriga.
E é só na Primavera que, de novo, a oportunidade de brilhar se apresenta. Passado o pior, cada espécie enverga a sua melhor plumagem, incha o peito e afia o bico, trauteia umas notas para ensaio e lança-se esvoaçante pelos ares azuis e cheios de esperança, a ver quem canta melhor e mais encanta. São passarinhas e passaronas, mamíferos e invertebrados, todos a quererem o seu lugar ao sol. É um reboliço de penas e escamas, pelagens que se largam para trás, ovos esventrados e casulos esburacados, carapaças que se despem e dão lugar à original natureza do bicho. Não há melhor altura para o estudo ornitológico e entomológico, os passeios pelo campo para observação de cada novo ser que sai da casca. E o melhor é mesmo vê-los no seu ambiente natural que isto de espetar as criaturas com alfinetes nas asinhas sobre um painel de cortiça para os ver à lupa, é de uma grande violência. Deixá-los estrebuchar, esvoaçar ou rastejar que é assim que verdadeiramente os podemos conhecer, em todos os detalhes que os compõem. É este o tempo de todas as descobertas.
Eu gosto muito da Primavera!
Logo que começam as primeiras abertas e um raiozinho fininho de sol atravessa o centro de baixas pressões, eis que retornam, em todo o seu esplendor, os exemplares mais representativos da fauna e flora de cada região. É vê-los a esgaravatar furiosamente os montes de entulho com que se cobriram para escapar à intempérie. Tentando passar despercebidos, sobrevivendo através das camadas de gordura acumulada durante os fartos tempos dos Verões passados, silenciosos e rasteiros, conseguiram ultrapassar o pior do periodo invernoso. Agarrando oportunidades, atentos para saltar sobre o vizinho do lado e antecipar-se, sempre que um pequeno bago ou semente lhes caía nos braços enregelados. Que a escassez não é compatível com esquisitice e há que agarrar o que vier à rede mesmo que antes se tivesse torcido o nariz ao mesmo acepipe. A esperteza do instinto da formiga a sobrepôr-se à beleza da cantoria da cigarra, que esta não enche barriga.
E é só na Primavera que, de novo, a oportunidade de brilhar se apresenta. Passado o pior, cada espécie enverga a sua melhor plumagem, incha o peito e afia o bico, trauteia umas notas para ensaio e lança-se esvoaçante pelos ares azuis e cheios de esperança, a ver quem canta melhor e mais encanta. São passarinhas e passaronas, mamíferos e invertebrados, todos a quererem o seu lugar ao sol. É um reboliço de penas e escamas, pelagens que se largam para trás, ovos esventrados e casulos esburacados, carapaças que se despem e dão lugar à original natureza do bicho. Não há melhor altura para o estudo ornitológico e entomológico, os passeios pelo campo para observação de cada novo ser que sai da casca. E o melhor é mesmo vê-los no seu ambiente natural que isto de espetar as criaturas com alfinetes nas asinhas sobre um painel de cortiça para os ver à lupa, é de uma grande violência. Deixá-los estrebuchar, esvoaçar ou rastejar que é assim que verdadeiramente os podemos conhecer, em todos os detalhes que os compõem. É este o tempo de todas as descobertas.
Eu gosto muito da Primavera!
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