melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
Contudo, aceito melhor ser ostracisado do que ser circuncisado (que é o mais próximo que consigo encontrar para esta estranha sensação de me ter sido tirada em público a chave da porta - remember?).
Por outro lado, corre o boato que nos comentamos mutuamente e eu detesto desmentir um rumorzinho bacano.
E ainda há a simples e compreensível tentação de te tirar as ilusões de que és a única do contra, para além de te privar dessa sensação de posse imobiliária virtual à custa do silêncio forçado dos comentadores (sobretudo do tal co-protagonista do boato que citei).
Mesmo que não respondas a este comentário só para me contrariares o discurso e assim provares que afinal és mesmo mais do contra do que eu, vencerei.
Nesse pior cenário resolvo o problema assumindo-me okupa...
(Juro que limpei os pés antes de entrar e prometo que ao sair fecharei a porta. Chuac.)
(Chuac outra vez, mas este com um arzinho de putinha manhosa.)
(mas isto de ser a proprietária de escritura passada não invalida os okupas.) :-))
;)
toma beijo
É por isso que eu digo que é uma casa. As pessoas podem sempre espreitar à janela sem que nós as queiramos impedir. ;-)
É sempre a mesma coisa. Um gajo esmifra-se e depois...
:-))
(eu nem sempre venho comentar, se calhar pelos mesmos motivos que comentas pouco no Pópulo, o tempo não esticar e muita coisa ser feita à pressa...)
Mas o que importa é isto, termos as portas da nossa vivendazita abertas para os receber sempre que assim o queiram, né? Eu gosto. (Também subscrevo o que dizes sobre os blogues colectivos)