de escrevinhadores* seremos?
Ando há tempos para dar sequência a um outro post em que refletia sobre os vários tipos de leitores que poderíamos ser, nesta comunidade virtual. O reverso da medalha de quem lê é quem escreve. E nem todos escrevemos para o mesmo ou pelo mesmo. Como não sou psicanalista, psicóloga ou coisa que o valha, não tenho nenhuma autoridade científica para analisar as motivações de cada um. Por isso mesmo, nem vale a pena continuarem a ler (se é que o fazem...) se estiverem à espera de um tratado sobre a alma humana no momento em que se debate com um teclado nas unhas. Aliás, isto leva-nos directamente para o tipo de escriba que eu sou.
Escrevo para mim, sobretudo. O que me dá na bolha, quando me apetece. Quando não me apetece ou, embora me apetecendo não tenho como alcançar um computador num raio de menos de um quilómetro, não escrevo. O que se nota, aliás.
Mas é engraçado dizer isto agora, para mim própria, claro, porque houve um tempo em que assim não era. Comecei na blogosfera como se ela fosse uma conversa com os outros. Talvez, em parte, porque tenha aterrado na blogosfera vinda directamente de um newsgroup, que era de facto um sítio onde se conversava uns com os outros. Conversa temática, inteligente, bem-humorada, sem o estigma dos chats que, supostamente, apenas serviam para putos de hormonas descontroladas ou adultos cujas hormonas não se descontrolaram na idade certa, encenarem umas quantas danças de acasalamento, com muito colorido e penas pelos ares à mistura, a ver se tinham a sorte de lhes cair qualquer coisinha no prato. Os newsgroups, não. Eram coisa de gente séria, numa faixa etária menos condizente com o uso de abreviaturas como keres, bués, nice, gto, kual, e que usava nicks de estilo um pouco diferente de diabo vermelho, fofinha, gatita, gatão, Capitão América, El Matador e por aí fora.
Falava-se de cóltura, livros e poesia. De cidades, costumes e acontecimentos, feiras e romarias. De profissões e política. Depois havia aqueles só dedicados ao desporto. Outros ao cinema. E outros, ainda, à fotografia. E muitos mais.
Estão a ver? (quem nunca viu, claro). Uma espécie de blogosfera feita em conjunto num único blog. Assim à semelhança dos blogues colectivos de hoje, mais coisa menos coisa, mas em que aquilo que escrevíamos era post e comentário, doisemum. De quando em vez, também acabávamos a marcar almoçaradas para nos conhecermos e continuar as conversas ao vivo e a cores. Depois voltávamos ao conforto dos teclados e nunca mais nos víamos. Excepções feitas àqueles que acabavam a descobrir que moravam na mesma rua e até tomavam o pequeno-almoço todos os dias no mesmo café, sem nunca lhes ter passado pela cabeça que já tinham falado um com o outro uma dezena de vezes sob os nicks aquarius e oquântico, ou algo do género. (atenção, que qualquer semelhança entre os nomes usados neste post e a realidade é pura coincidência).
Ando há tempos para dar sequência a um outro post em que refletia sobre os vários tipos de leitores que poderíamos ser, nesta comunidade virtual. O reverso da medalha de quem lê é quem escreve. E nem todos escrevemos para o mesmo ou pelo mesmo. Como não sou psicanalista, psicóloga ou coisa que o valha, não tenho nenhuma autoridade científica para analisar as motivações de cada um. Por isso mesmo, nem vale a pena continuarem a ler (se é que o fazem...) se estiverem à espera de um tratado sobre a alma humana no momento em que se debate com um teclado nas unhas. Aliás, isto leva-nos directamente para o tipo de escriba que eu sou.
Escrevo para mim, sobretudo. O que me dá na bolha, quando me apetece. Quando não me apetece ou, embora me apetecendo não tenho como alcançar um computador num raio de menos de um quilómetro, não escrevo. O que se nota, aliás.
Mas é engraçado dizer isto agora, para mim própria, claro, porque houve um tempo em que assim não era. Comecei na blogosfera como se ela fosse uma conversa com os outros. Talvez, em parte, porque tenha aterrado na blogosfera vinda directamente de um newsgroup, que era de facto um sítio onde se conversava uns com os outros. Conversa temática, inteligente, bem-humorada, sem o estigma dos chats que, supostamente, apenas serviam para putos de hormonas descontroladas ou adultos cujas hormonas não se descontrolaram na idade certa, encenarem umas quantas danças de acasalamento, com muito colorido e penas pelos ares à mistura, a ver se tinham a sorte de lhes cair qualquer coisinha no prato. Os newsgroups, não. Eram coisa de gente séria, numa faixa etária menos condizente com o uso de abreviaturas como keres, bués, nice, gto, kual, e que usava nicks de estilo um pouco diferente de diabo vermelho, fofinha, gatita, gatão, Capitão América, El Matador e por aí fora.
Falava-se de cóltura, livros e poesia. De cidades, costumes e acontecimentos, feiras e romarias. De profissões e política. Depois havia aqueles só dedicados ao desporto. Outros ao cinema. E outros, ainda, à fotografia. E muitos mais.
Estão a ver? (quem nunca viu, claro). Uma espécie de blogosfera feita em conjunto num único blog. Assim à semelhança dos blogues colectivos de hoje, mais coisa menos coisa, mas em que aquilo que escrevíamos era post e comentário, doisemum. De quando em vez, também acabávamos a marcar almoçaradas para nos conhecermos e continuar as conversas ao vivo e a cores. Depois voltávamos ao conforto dos teclados e nunca mais nos víamos. Excepções feitas àqueles que acabavam a descobrir que moravam na mesma rua e até tomavam o pequeno-almoço todos os dias no mesmo café, sem nunca lhes ter passado pela cabeça que já tinham falado um com o outro uma dezena de vezes sob os nicks aquarius e oquântico, ou algo do género. (atenção, que qualquer semelhança entre os nomes usados neste post e a realidade é pura coincidência).
Anyway, com o advento, ganda pinta de palavras para dar a pála de culta que eu vou buscar...da Blogosfera foram, aos poucos, acontecendo as dissidências. E o certo é que, quem criava um blogue, tentava assegurar a sua participação no newsgroup pelo máximo de tempo que conseguia mas acabava, por dificuldades de conciliação ou pelo entusiamo pela novidade ou porque os colegas de conversa pura e simplesmente começavam a abancar no blog, por desaparecer por completo, ao fim de alguns meses de blogosfera. Nem sei se os newsgroups se mantêm, actualmente, em funcionamento.
O que sei é que me perdi completamente do tema deste post e escrevi um lençol que terá que ficar por aqui.
(continua)
* acham mesmo que eu teria a coragem de nos apelidar de "escritores", a nós, 98% dos bloggers que para aqui andamos?? Ná...
Comentários
Gosto de te ver tão profícua, pá. :)
Escrevinhadores, pronto. ;-)