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UM MAR DE MEDOS

Foi a Mar quem levantou a questão no seu último post. E eu queria ter abordado o assunto na caixa de comentários do meu ancoradouro alternativo, mas depressa percebi que o tema não poderia encaixar-se no âmbito restrito de um comentário.
É que existem questões particularmente sensíveis para quem exerce a progenitura e cada um de nós lida com essas questões de forma distinta.

O texto da Mar, bem esgalhado, cita um exemplo extremado de super-protecção como eu poderia agora invocar os tristes exemplos que a vida me apresentou em sentido contrário. Não o fazendo, aponto já as baterias para o meio onde se encontra decerto a virtude que qualquer mãe e qualquer pai decentes ambicionam.

A minha filha não brinca na rua como eu fazia com a idade dela (a caminho dos sete). Isso deve-se a duas razões essenciais: não se encontram na rua parceiros de brincadeira e eu (como a mãe dela) não confio na segurança lá fora como o puderam assumir os pais da geração anterior. Sou mais parecido com a geração actual, que aceita a televisão e o computador como alternativas “aceitáveis” ao risco pressentido para lá da porta de casa.
Tento a custo encontrar soluções de compromisso entre os meus medos e a flagrante necessidade de brincadeira e de ar livre que uma criança saudável deve satisfazer.

E não é fácil, Mar, encontrar o equilíbrio entre o caso que descreves e qualquer um dos que poderia contrapor. Quem não se confrontou já com a escolha terrível entre privar uma filha ou um filho de um momento que eles consideram sempre “vital” ou aceder, autorizar, e depois o acaso apresentar uma pesada factura?
Com isto defino um pouco melhor onde quero chegar. As mais complicadas decisões que nos competem enquanto pais são as que nos obrigam a pender para um dos lados que nos restam: proteger (quase sempre em excesso, pois assim eles não se preparam para a vida) ou alertar (e depois ficar a rezar para que a decisão se revele acertada).

Daí, e porque nunca sabemos se estamos a fazer zigue quando devíamos fazer zague, neste mundo-armadilha, tendo a entender melhor a postura excessiva de quem aposta na redoma do que o seu inverso liberal. É errado transformar os putos em “coisinhos”, sem dúvida, e nem é essa a minha prática. Mas estou certo de que essa não é a opinião de quem vive com a angústia de consequências foleiras ou mesmo funestas de uma opção (nesse caso) mal tomada.

Não te tiro a razão, Mar. Mas mais facilmente esgalharia uma prosa como a tua a propósito de algum caso situado nos antípodas daquele que o teu post tão bem descreveu…

Sharkinho


Nota: Como se depreende pela leitura do texto, ele destinava-se à minha casa principal. Isso não foi possível devido ao facto de não ser possível a esta hora aceder à edição do meu blogue, alojado na plataforma do Weblog.Pt gerida pelo AEIOU...
Mas aqui também não consegui colocar a foto ("error on page" my ass, malta do blogger!)

Comentários

Mar disse…
Até sou capaz de subscrever a maior parte do que dizes, Shark. Principalmente tendo em conta que vives na "big city".
Ms repara que eu destaquei este por ser um caso extremo. Patológico.
E aí é de questionar se não fará o mesmo mal às crianças que o seu inverso, ou seja, no extremo oposto, a negligência.
Foi esse o teor da minha reflexão.
Porque só quem visse, como eu vi, o choque que aquela criança (pré-adolescente, direi antes) provoca. Pelo menos em quem conhece a história. No resto da malta há assim uns olhares de soslaio, uns risos de escárnio no caso das bestas quadradas, que las hay, e pronto.

Mas sou mãe e sei bem o que é não saber se a autorização dada a custo para umas horas de liberdade, se revelerá uma decisão errada (cruzes, canhoto). Sou mãe e galinha e quero proteger os meus meninos de todos os males do mundo.
Sou mãe e tenho os medos de todas as mães e pais. Tento geri-los e equilibrar a coisa com as asas de que eles precisam para aprender a crescer e vir a ser adultos saudáveis.
E não os amo menos do que aquela mãe ama o seu filho, isso garanto.
shark disse…
E disso não duvido, já vi com os meus olhos alguns factos que o confirmam (nomeadamente a forma como os teus putos reagem contigo).
Nem o amor pelos filhos pode ser medido pelo nível de paranóia dos seus pais, nem o nível de responsabilização dos que buscam o equilíbrio (concedendo a tal liberdade de acção de que eles necessitam) pode ser desproporcionado quando algo de menos bom aconteça (cruzes, destro - sou canhoto, como sabes).
Mas o que eu pretendi destacar é que compreendo melhor um esquema obssessivo como descreveste do que o seu oposto (e aí já associo o nível de amor ao grau de desmazelo).
Pelo que já partilhámos acerca do assunto sei que temos perspectivas muito semelhantes, mas sabes como eu (isso da big city não é dispiciendo) tendo mais à psicose com a segurança do que à fé na virgem...
Palavra que fico a torcer para que o miúdo consiga encontrar um caminho que lhe permita ser feliz.
E os pais também deviam comprar um mapa...
(Obrigado mais uma vez pelo alojamento, parceira!)
Mar disse…
Não tens que agradecer, mi casa es su casa.
E percebo o teu ponto de vista.
Até dava um post baril, a análise da negligência. Vais nessa? ;-)
shark disse…
Bem visto, Emiéle. Espantosa a tua lucidez.
(Tens lido o teu email, amiga?)
shark disse…
Sócia, já sabes que comigo é só pedires...
Este fim-de-semana tratamos disso.
Posso abrir eu desta vez.
cereja disse…
Eu respondi...
Não chegou?
shark disse…
Chegou, sim.
Amanhã mando-te o segundo fascículo, para te ajudar a tomares uma decisão... :)
Esther disse…
Mar..Tu que gostas da boa leitura, dê um pulinho ( ou umas braçadas ) até o outro lado pra ver um projeto novinnho em folha nascendo..vale a pena! Bj!
Mar disse…
Outro Agatha, garanto que irei lá com muita curiosidade ver o que se está passando. ;-)
shark disse…
Desculpa, mas não posso deixar de, relativamente ao post de cima, deixar de te enviar votos de que atinjas o nirvana.
Prefiro-te zen, longe desse mundo de falsas santidades e de virgens ofendidas.
(Mas o post está loud and clear, lá isso...)
Mar disse…
E podes crer que tou, Shark, muito zen. Aquilo foi só um parentisis assim pequinininho, um puff, já passou, quase sem se dar por ele. ;-)

Esse mundo já há muito que deixou de me enganar, lindo. Foi só fechar o Espelho da primeira vez, para perceber. Depois, foram só distracções momentâneas.:-)
jp(JoanaPestana) disse…
Pode estar loud and clear para alguns....eu juro pela minha honra que não percebi nadica de nadica.
Mas quem é que anda á procura da rolha mesmo?
Explicam-me,please?
Beijocas
Mar disse…
É exactamente assim que penso Emiéle. O post é um desabafo de quem encheu o saco e despejou porque o blogue é meu e é para isso que eles servem, que tem destinatários que enfiarão sem qualquer dúvidas as várias carapuças.
Como tal, não me parece justo dar azo a comentários de quem está por fora e se arrisca a dar palpites que podem cair mal noutros lados.
Aliás, quem me despoletou este post, deveria ter tido esse mesmo cuidado, o que não foi o caso. Nenhum dele/as.
Mas é assim, cada um com a ética que merece e eu, como digo foi mesmo só uma brisa, já passou ;-)
Mar disse…
JP, querida:

Ainda bem que não percebeste. Era mesmo suposto ser assim e só confirma que não estás ali visada porque quem está, garanto-te que percebeu, loud and clear como diz o Shark.
Não tenhas pena de não perceber. E de não poderes comentar ainda menos. Acredita em mim.
Beijocas.
jp(JoanaPestana) disse…
Continuo como os bois...mas já deu para perceber que é melhor assim
;-)
Mar disse…
Nem mais! ;-)

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