Vou guardando as suas missivas com cuidado, religiosamente. Porque cada uma é uma pequena jóia e, juntas, constituem um documento único, precioso, que mostro aos meus filhos para que aprendam a amizade, a generosidade, que releio sempre que sinto que pode fraquejar a minha fé nas pessoas, que toco com o carinho com que a hei-de abraçar, assim que regresse.
Uma obra para coleccionar e transmitir a outros
Pedi-lhe, em tempos, autorização para publicar um texto seu e ela que sim, que sim, o que precisares, como queres que escreva sobre o mundo cá deste lado? Não foi preciso que o escrevesse de propósito porque as mensagens que nos envia, aos seus amigos e família, periodicamente, são em si o retrato de uma terra, do seu povo, da vida que outros seres humanos vivem.
E também dos sorrisos. Como este que nos mandou, pintado no rosto de um menino, por pessoas como ela.
A Joana está há quase um ano na Turquia, numa missão voluntária de ajuda a refugiados. Sobretudo, crianças.
Um ano da sua vida a ajudar outras vidas a manter a esperança. Um ano a crescer, a amealhar a sabedoria que só conquistamos quando damos. Nos damos.
Como se pode ler nas palavras que nos manda e que aqui partilho, por duas razões: o orgulho que tenho em ser amiga desta menina e o exemplo que ela constitui para todos nós. Não, por três: dizer-lhe, Obrigada, Joana.
Com um beijo enorme para ela da Mar
"Ando às voltas no teclado, a tentar decidir o que vos escrever. volto a tentar mais tarde, como nas chamadas telefónicas quando o destinatário não está. mas está. insisti escrever-vos de manhã cedo, já que agora, literalmente falando, o sol me acorda e é isto "volte a tentar mais tarde que amanhã é fim-de-semana, e pode ser que consiga".
Uma obra para coleccionar e transmitir a outros
Pedi-lhe, em tempos, autorização para publicar um texto seu e ela que sim, que sim, o que precisares, como queres que escreva sobre o mundo cá deste lado? Não foi preciso que o escrevesse de propósito porque as mensagens que nos envia, aos seus amigos e família, periodicamente, são em si o retrato de uma terra, do seu povo, da vida que outros seres humanos vivem.
E também dos sorrisos. Como este que nos mandou, pintado no rosto de um menino, por pessoas como ela.
A Joana está há quase um ano na Turquia, numa missão voluntária de ajuda a refugiados. Sobretudo, crianças.
Um ano da sua vida a ajudar outras vidas a manter a esperança. Um ano a crescer, a amealhar a sabedoria que só conquistamos quando damos. Nos damos.
Como se pode ler nas palavras que nos manda e que aqui partilho, por duas razões: o orgulho que tenho em ser amiga desta menina e o exemplo que ela constitui para todos nós. Não, por três: dizer-lhe, Obrigada, Joana.
Com um beijo enorme para ela da Mar
"Ando às voltas no teclado, a tentar decidir o que vos escrever. volto a tentar mais tarde, como nas chamadas telefónicas quando o destinatário não está. mas está. insisti escrever-vos de manhã cedo, já que agora, literalmente falando, o sol me acorda e é isto "volte a tentar mais tarde que amanhã é fim-de-semana, e pode ser que consiga".
"um pé.....
..e dois
uma meia
duas meias
sapato! o outro sapato!"
queria eu acordar com estas contas de matemática e achar que tenho tudo. por aqui acorda-se assim, com 20 pares de meias a entrarem e sapatos que nem sempre encontram o pé certo. nisto, tenho falta de vocês. não só de estar, mas de vos falar das coisas daqui. que desliguem as televisões e esqueçam muito do que vos dizem. está errado. ou pelo menos, incompleto. mostram o que capta a atenção do momento, mas depois esquecem-se do humano, das vidas, das mãos, dos medos, dos outros erros, do que se aprende, dos exemplos, das ideias... esquecem-se ou não querem mostrar e ficam assim, com imagens deste lado do mundo que não encaixam em filme nenhum. escrevo-vos: apaguem as televisões por momentos. ou escutem-nas ao mesmo tempo em que pensam "pode não ser assim". multiplicadoras de preconceitos, televisões: calem-se. ao resto é deitar mãos às ideias, e ver no que dá.
mas o mundo turco, com tudo o que não funciona, com um social que em muitos parâmetros não existe, também ensina. e aqui estou. se os meus colegas de faculdade, amigos de letras com sede de mundo, se lembram, numa das aulas de Antropologia Política, na qual discutíamos a possibilidade da Turquia fazer parte da União Europeia o professor, Jorge Crespo, disse que não nos enganássemos. a sua ideia: há que estar lá para saber, um saber que não se resume aos museus, às salas de cinema, às letras dos livros, aos músicos... um saber que se sente, que abarca o modo de sorrir da gente, o jeito de pegar na 'darbuka' antes de tocar um ritmo diferente - pés que andam no chão com fundo de terra. o Mundo.
Um tom:
"Cada um sabe dos gostos que tem
Suas escolhas, suas curas
Seus jardins
De que adianta a espera de alguém?
O mundo todo reside
Dentro, em mim
Cada um pode com a força que tem
Cada um pode com a força que tem
Na leveza e na doçura
De ser feliz."
'Onde ir', Vanessa da Mata
Por hoje é assim, que amanhã, 1 de Abril, vou acordar com 21 anos no bolso.
Parabéns a vocês, que me dão tudo sem se darem conta disso.
Abraço-vos forte, joana"
Como disse mais abaixo, a Joana regressou da Turquia. Mais magra, com olhos mais fundos, com marcas dentro de si que não deixarão de fazer dela uma Mulher ainda mais forte. Mas doce, como sempre foi. Já está cá, ao alcance daquele abraço apertado de um reencontro pleno de saudade e carinho.
Bem vinda, minha linda. :-)
Comentários
Sempre gostava de saber porque é que algumas pessoas não conseguem comentar. Afinal o novo sistema xpto blogger beta anda a seguir as pisadas do weblog? Mau, mau...
Mar