
o original aqui
Como Alice, atravessar o Espelho e dar com o mundo ao contrário. Onde o avesso que observamos é apenas o reverso daquilo que, aqui em cima, nos aparece como verso. E a vida real é, afinal, o gato no aquário, os peixes no ar e um pássaro no mar, a voar. Ou um menino a aprender a olhar.
No mundo de pernas para o ar, não existe o mal, maleita ou maldição. Só mergulhos e danças com peixes que nos atiram bolhas brancas de ar, num rodopio que faz comichão no nariz e depois nos obriga a espirrar e a fazer mais bolhas, gordas, que engolem os peixes como num jogo de xadrez se engole um peão.
O mundo ao contrário está sempre em festa e é por isso que, lá, de todas as vezes que o desejarmos, podemos pousar a cabeça num coral e descansar.
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