Avançar para o conteúdo principal

Reencontros

É como abrir uma arca antiga e reconhecer, de imediato, o aroma que dela se desprende. O perfume das roupas, talvez conservadas por um saquinho de linho cheio de cânfora ou alfazema, o cheiro da madeira, a maciez dos interiores forrados a tecido.
E depois é o olhar, que é outro dos sentidos absorvedores de emoções. Naquele interior tudo é conhecido, tornado nosso por anos de convívio, passamos a vista por todos os cantos e recantos num breve reconhecimento, pegamos num objecto que nos foi oferecido por alguém muito amado e só é preciso esse toque para ver as imagens desse dia a desfilar-nos pela mente.
Reencontrar memórias é recuperar um livro que sabemos de cor, o primeiro que lemos, ou talvez não, aquele que mais nos infuenciou para o resto das nossas vidas. É continuar do ponto em que as arrumámos com carinho, embrulhadas em papel de seda, como se o hiato espaço/tempo nunca tivesse existido e o dia de hoje fosse apenas o dia seguinte àquele onde as deixámos guardadas, muitos anos atrás.

Reencontrar pessoas queridas é igual.

Comentários

jp(JoanaPestana) disse…
é sim linda
e faz-nos sempre muito bem
(a preguiça atacou-me, desculpa o desaparecimento)
Mar disse…
O que interessa, são sempre os regressos JP.

E fazem-nos lindamente, pois. ;-)
shark disse…
Gosto mesmo muito deste post, Mar.
Faz mais.
Mar disse…
Conto fazê-los Shark, também gostei muito. ;-)
Mar disse…
Claro que nos podemos desfazer de tudo Emiéle. mas repara que, mesmo em operações de "limpeza" profundas, há sempre algo que resistimos a deitar fora e vai perdurando, já velhinho, amarelecido, lá no fundo da arca...;-)

O seu tempo só acaba quando nos resolvemos mesmo a desfazer-nos dela, de tão gasta que está. E isso pode demorar uma vida.
Mar disse…
A gente só guarda "arcas" dessas por muito tempo Emiéle, se elas tiveram, de facto, valor. E por isso não é mau guardá-las. Quando deixaram de o ter ai sim, uma boa varredura aos recantas e bola prá frente! :-)

Vou já lá ver!!

Mensagens populares deste blogue

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós.  É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...