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por casa coexistem três seres humanos, em sã harmonia, quebrada, vai não vai, pela principal disputa que nos aflige a todos: a posse partilhada de UM computador.
Considerando a estrutura etária da população residente - um pré-adolescente de buço incipiente e voz a engrossar à medida que quase me supera em altura, uma que para lá caminha precocemente, de tal forma a passos gigantescos que, qualquer dia, tenho que lhe emprestar os pensinhos e tampões e a outra, suposta matriarca, com idade para ser mãe deles mas a mesma vontade inquebrantável de me agarrar ao teclado e não mais o ceder - a coisa, às vezes, complica-se.
Então em períodos de férias, o que é o caso, o processo negocial em torno de quem fica quanto tempo aos comandos do dito, é digno de uma Cimeira de Bruxelas. Sem qualquer dúvida. Ele é chantagens emocionais, ele é tentativas de suborno, deixas-me acabar este jogo e eu deixo-te ir comigo para o parque à noite, com as respectivas cedências da parte mais fraca, claro, a pirralha que ainda não percebe que o outro a está é a gozar à grande e à francesa, mãe mas ele prometeu!, em suma, um sem fim de discussões assim um pouco mais pró azedo, ou sais JÁ daí, ou ponho uma password e depois já não vai mais ninguém!, mas é só passar este nível mãe, em que a democracia interna às vezes é imposta à força. Somos todos iguais mas eu...aquela coisa dos porcos, vocês sabem.

Vai daí, é quase sempre na sequência de um desses Tratados, assinados a contra-gosto e de alguns amuos com direito a porta do quarto fechada e uns segundos de silêncio, que consigo, triunfante sobre os escombros fumegantes, aqui chegar.
Como, decerto, compreendereis, não é um cenário muito propício a produzir posts "respeitáveis" (ainda mais se tivermos em conta que tenho que me levantar umas quantas vezes para ir ver o assado no forno...). Assim aquelas coisas que dão direito a reflexões profundas de quem lê, inteligentes trocas de comentários na caixinha, ora agora argumentas tu e agora contraponho eu, empolgadas discussões sobre o sentido da vida ou troca de receitas para atingir o nirvana.
Coisas importantes, que dão direito a figurar assim nos tops das estatísticas e com scripts e esses nomes giros que os verdadeiros blogs ostentam, com orgulho nos reluzentes galões.
Ná.
Por aqui a coisa fica-se mais pela exaltação da preguiça e seus derivados em tempo de férias, algumas cartas de amor, meia dúzia de fotos mal tiradas e umas quantas reflexões sobre quando iremos todos servir de alimento a uma qualquer nova espécie viva, depois de termos f***** o Planeta por completo.
Coisas simples, de quem ganha pequenos Holocaustos domésticos, só para vir aqui consultar o email e dizer uns dislates.

Mas também, pá, fosga-se, digam lá que também vocês não seriam capazes de arranhar, para ter acesso a Isto:



o pomo da discórdia

Comentários

shark disse…
Atão e o portátil vai ser o quê, um Mercedes? :)
Ah e aquela das estrelas, já consegui adivinhar umas duas ou três letritas. Quando descobrir todas venho aqui dar a boa nova...
shark disse…
Tá fixe, o post. E muito respeitável (a família é um valor sagrado. E um BMW impõe sempre muito respeitinho...)
Bastet disse…
:) essas elevadas discussões sobre o sentifo da vida são muitas vezes mantidas por pessoas que não sabem da dificuldade de viver o dia a dia, da ultrapassagem dos pequenos obstáculos familiares, do assado no forno, do crescimento das crianças, enfim do amor. Pecam por isso, quase sempre, pela falta de verdadeiro substracto, do sumo do quotidiano que é a realidade.
Mar disse…
Peço desculpa pelo atraso na resposta, tem a ver, exactamente, com~o tema do post...

Por enquanto não tenho Emiéle e, como calculas é o item mais desejado a pedir ao Pai Natal com carácter de urgência...Minimizava a cena, claro.

Mãe é mãe???? experimenta dizer isso a um puto com borbulhas enquanto ele escreve no MSn, todo derretido "eu tB t Kurto bué".....;-)))
Mar disse…
Espero que ainda não tenhas conseguido descobrir todas, shark...;-P

Eu esforçei-me por não dar calinadas , claro, a família e um BMW é obra. ;-)) O portátil bastava ser assim um Toshiba e tal...
Mar disse…
Tens razão Bastet, ou resumindo, por pessoas que não têm mais nada que fazer...;-)
Claro, acabam por ser uma mão-cheia de teorias lidas algures, livrescas e secas, sem calor, sem risos, e zangas e amuos e beijos de fazer as pazes.
Eu gosto mais de escrever sobre os assados, confesso. Uma beijoca.

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