Não resiste a mirar-se no reflexo da janela, vendo o rato ao longe a cofiar os bigodes e julga-se esperto o gatito, que aqui, não sei porquê, talvez seja a leveza da imagem, qualquer coisa de suavidade naqueles véus esvoaçantes, whatever, me soa a que seja um gatito do género feminino vamos então por aí, a gatita, dizia eu, julgando-se mais do que esperta na sua demanda de apanhar/desorientar/impressionar/enganar/intimidar/distrair/caçar/sobressair
/exterminar a raça até à sétima geração/and-so-on and-so-on (riscar o que não interessa ou ficar com todas as opções é à vontade do freguês, senhoras e senhores, meninos e meninas, é comprar, é comprar até enjoar) o pobre do rato, esse exemplar de raça chata e resistente, a gatita, não se esqueçam do que dizia eu, manobra e maquina e encontra soluções que julga impressionantes, escondida atrás da cortina, ah que agora é que é e já vai tarde, apanho-te todo, chamo-te um figo e lambo os beiços, até que enfim que a caça já vai longa e cansativa e inglória e eu mereço e sou uma gatita tão esforçada e bonitinha.
Enquanto isto o rato, topando-lhe sempre o rabo de fora, estatela-se ao comprido de tanto rir, antecipa-lhe o próximo passo, faz um passe cruzado e mais um pontapé de bicicleta, pisca o olho, mostra-lhe a lingua e enfia por um qualquer buraquinho inacessível à espertalhona o seu velho couro curtido de tanto sobreviver.
(nota-se muito que tenho devorado Saramago compulsivamente desde os 18 anos e já lá vão alguns? sim, chamem-me presunçosa que eu gosto, ehehehehe....)
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:)
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