de outro modo qualquer. Variar em função dos altos e baixos da vida, da idade e condição física, do crescimento interior. Mas não. É sempre igual, ano após ano e mais ano.
Vou à Festa desde 76 e ainda hoje sinto na palma da minha mão o calor da mão do meu pai, agarrando a minha com emoção enquanto desbravava caminho por entre um mar de gente. Que sorria, sorria muito.
Cresci ali, naquele dia, enquanto abria de espanto os olhos àquele Mundo. Lembro-me particularmente bem do caminho até à FIL, a pé pelo passeio e do grande edifício em ruínas mesmo antes de desembocar na praça. Parece que tinha sido uma bomba...
Do resto sei dos olhos e dos abraços. Como até hoje. Sei do tratamento por tu, camarada, entre miudos e graúdos, da mão que se dá a alguém para o levantar do chão, do cigarro que se partilha, do copo por onde se bebe à vez, do casaco que se empresta, do lenço que se ata à cabeça ou se estende no chão para descansar. E tornar a seguir.
Também sei do amor que se faz no chão, pelos recantos, das cantigas que avançam madrugada dentro, empurradas por uma lasca de queijo e um copo de tinto, da conversa que nos torna mais ricos vinda de alguém que admiramos e ali está ao nosso lado, sentado sem cerimónias, de pernas cruzadas num pedaço de cartão aberto que dá para (mais) cinco.
Na Festa não há classes, não há mais ou menos importantes, não há preconceito, não há crítica, arrogância ou falsidade. Há pessoas-iguais, sem idade nem estatuto social ou profissional, que se atiram a tirar imperiais ou a mexer um ensopado de borrego para 500 pessoas, que limpam casas de banho ou fazem vigilância noite dentro, que montam toldos e desmontam estruturas, que despejam o lixo e lavam loiça e preparam a sua "casa" para oferecer, de novo, o melhor que sabem, no dia seguinte. Como se faz aos amigos. Porque ser camarada é ser amigo a dobrar. E até mesmo os que não são, não sentem na pele essa diferença. A Festa é de todos e para todos. E é por isso que somos tantos mil, a cada ano mais, de regresso depois da primeira vez. Nunca se vai à Festa só uma vez. Quem vai, não é capaz de deixar de voltar.
Eu voltei sempre, até hoje. São já muitas Festas, em muitos locais diferentes, muitos rostos e beijos, noites dormidas ao relento com muita chuva e muito sol. Muitas Matrioskas na colecção a que acrescento sempre mais uma. Muita fraternidade sentida nos abraços, vivida na pele, reflectida nos olhos, ainda abertos de espanto. Muitos amigos a dobrar.
Começou assim:
Eu era um deles. :-)
Comentários
beijo
e o nosso Partido é o povo, que trabalha e que luta, eles têm a força do dinheiro,e nós temos a força do querer.
Gostei do teu texto
abraço
Acredita fizeste-me ter saudades do que não vivi.
Mas ainda estou a tempo e para o ano lá estarei.
:-)Beijinho
E sim, acredito que a minha filha me saiu igualzinha, a tipa. Anda vestida "à Avante" e não há quema faça despir o raio das calças...:-)
Como é que eu pude faltar a um evento tão... animado?
:-)
Claro que sei que vais concordar inteiramente.
Sim, como é quepudeste faltar, lá isso. :-)
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Susete, miga, dá-lhe que ele precisa é de gajas como deve ser, que lhe coloquem os pontos nos iiiiii. Se ele te tivesse ido conhecer bem teria visto que contigo nã se brinca. :-)
Pró ano tou lá caído.
:-)
Vejo que existem pontos de convergência nas nossas opções... hum... políticas.
:-)
Mas vê lá, não vás lá pró ano só com essa perspectiva...hum...política, há lá muito mais o que ver e o que fazer, bem sabes. ;-)
O dezassossego que práqui vai, vô ali e jé venho, tô morta da cintura pra cima...................