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Fiz,

há relativamente pouco - se tivermos em conta os padrões das pessoas "normais" foi há mesmo muito pouco - tempo, um negócio de compra de casa, para onde, como é natural, me mudei. Considerando alguns padrões de análise como anos de construção, perspectiva de conforto e, sobretudo, espaço, achei que tinha sido uma boa escolha. Os meus amigos, depois da visita da praxe, foram unânimes em aprovar a coisa, é uma boa casa sim senhor, fizeste bem e tal.
O piqueno senão é que, passado apenas um mês de habitar o espaço, algo não ia bem. Era uma sensação indefinida de mal -estar, uma espécie de comichão não localizada, um ar cada vez mais irrespirável de desagrado em relação a tudo.
Demorei algum tempo até conseguir identificar, objectivamente, o que se passava. Isto porque o vendedor continuava bem presente na vida da casa e na minha, desfazendo-se em simpatia vê lá se precisas de algo, deixa estar que eu mando cá vir o canalizador ver aquela pequena questão do chuveiro, se precisares é so dizer, desculpa vir tocar à porta a um Domingo mas.., de tal forma que, a certa altura verbalizei para uma amiga que me parecia que, todas as tardes depois do trabalho, lá ia eu para a casa do, chamemos-lhe assim, Anacleto e não para a minha...
A explicação para esta presença inicial assim para o sufocante era, aparentemente, simples: o pai do dito continuava a habitar no andar de cima pelo que o senhor tinha que vir constantemente ao prédio.
Mas o que motivou a progressiva raiva alucinada que comecei a sentir não foi isto. É que, após o tal mês, apesar de ter tentado ignorar inicialmente as suspeitas, constatei que tudo mas TUDO o que me tinha sido apresentado como uma vantagem pelo proprietário era, afinal, falso. O fantástico isolamento, não se ouve aqui nenhum som, absolutamente nenhum, revelou-me os hábitos matinais e nocturnos do pai morador sobre a minha cabeça. O pavimento xpto madeira não sei de onde, maciça não se ouve ranger nada dos quartos, manifestou ser o cenário adequado para um filme de terror, daqueles em que as tábuas se lamentam aos sete ventos. A excelente rede, apanho aqui uma cobertura que é uma maravilha, traduziu-se em não conseguir falar ao telemóvel na ala mais ao fundo da casa, nomeadamente, no meu quarto. O chuveiro da casa-de-banho grande nunca funcionou como devia, material da melhor qualidade.
Enfim, um sem fim de detalhes que, agravados pela minha fúria, se tornaram insustentáveis.
O que fez transbordar o copo, no entanto, foi a descoberta, altas horas da madrugada, que o ar condicionado pode assemelhar-se a um tractor lavrando um campo inteiro qual campo, um latifúndio, aquilo é um verdadeiro atentado ao ambiente! sobre a nossa cabeça, mesmo que a enterremos sob uma almofada de penas...
O construtor de um prédio novo em folha, a alguns quilómetros daqui, é que se deu por feliz com os 5 000 euros que já lhe entreguei de sinal.

Comentários

cereja disse…
Primeiro a minha inteira solidariedade, como não pode deixar de ser... Tadita! Eu que vivo há dezenas de anos (nem digo quantos!) numa casa que é do senhorio, nem me imagino a mudar daqui. Ela já se 'moldou' a mim acho eu, como plasticina...
Mas fico admirada como é que podes mudar agora. Não estás a pagar esta? Podes alterar isso ao fim de poucos meses? Ficas com duas? Revendes esta?
Desculpa a cusquice, mas fiquei intrigada, e como deixaste isto aqui à vista no blog...
Susete Evaristo disse…
Se a casa tem defeitos e ao que parece essa tem imensos, incluindo o ex-dono e se a cas ainda estiver dentro do prazo de garantia (5 anos) só tens que exigir a anulação do contrato. Mais se caso a casa não for nova mas estiverem no contrato essas medidas de excepção, anti-ruido, equipamentos XPTO e não diga a bota com a perdigota também podes, exigir ou a anulação do contrato ou uma indminização.
cereja disse…
Ah é?
Obrigada, Susete, não fazia ideia de que fosse assim se pudesse anular.
Mar disse…
Ai, ai o que eu fui desopletar práqui...mas vou tentar esclarecer:

Emi´le, minha querida: As tuas dúvidas são legítimas, aliás, são as dúvidas das tais pessoas "normais" que eu refiro ali no texto. Eu só faço asneiras, pronto. E como o essencial para mim é o meu bem-estar e dos meus, arrisco de cabeça, percebes? Resultado: lenha para me queimar. A troca de casa é uma modalidade que os bancos nos proporcionam. Ou seja, eu faço um crédito novo e mantenho esta casa em simultânea, até a conseguir vender. Enquanto isso só pago juros da nova( o que, na prática, vai dar uma prestação idêntica à que tenhoa agora, nesta) e isto pode durar a té 3 anos. Ora eu, mocita optimista, acho que vendo esta até lá (aliás já é a segunda operação destas porque fiz o mesmo com a anterior antes de me mudar para esta e vendi-a em cerca de 6 meses, tás a ver?) e como tal nem penso nos riscos. Esclarecida? :-)
Mar disse…
(era "despoletar" desculpem lá os outros erros)

Susete, linda: para além do que já deu para perceberes sobre mim, precipitada, destrambelhada, inconsequente, enfim, ainda sou mais outra coisa - parva. E portanto nunca tal possibilidade me passaria pela cabeça, mesmo sendo legalmente possível como referes. Desconheci-a por completo, aliás, essa segunda possibilidade que referes, que a da garantia sabia que podia ser assim.
Agora a questão é que eu não me imagino a levantar um enleio desses, para ter resolução daqui a não sei quantos anos tás a ver? Para além de não achar bem ir prejudicar o Senhor Anacleto que até me parece boa pessoa, está é convencido de coisas que não correspondem bem à realidade...
Ora, só faço negócios para perder dinheiro, é o que é. Perco o valor que paguei em escrituras e papéis porque não vou conseguir vender esta por um valor mais alto do que aquele que dei por ela há menos de um ano. Mas ganho em paz de espírito e qualidade de vida. e isso vale tudo. :-)
Mar disse…
"desconhecia", sem tracinho, grrrr...
cereja disse…
Mar, estava-te a ler e a pensar como eu sou tão diferente e depois obtenho resultados iguais ou piores.
Nem sei se este teu post não dará origem a um outro no meu estaminé um dia em que me sentir com veia de me confessar.
Porque «é assim»: eu penso, penso, planeio, oiço conselhos, volto a pensar, deixo passar tempo, tomo uma decisão, oiço mais conselhos, passa mais tempo, e depois resulta tudo ao contrário do que queria e seria justo, tudo como seria se escolhesse logo a primeira e pior opção. Só que, essa 'opção' vem um ano depois do que teria sido se não pensasse tanto.
Ainda a semana passada, estive a rever duas situações da minha vida, onde quis tanto o óptimo (mas qual 'óptimo'?! o 'normal') que acabei por ficar com o mau e muito tempo depois.
Onde quero chegar? Que é excelente seres assim, Mar, poupas imenso tempo!!!!
Mar disse…
Tenho que concordar contigo Emiéle, no que toca a tempo é mesmo assim, actuo para obter os resultados que traço para mim, sem pensar em consequências.
É claro que o que poupo em tempo, traduz-se em custos vários, financeiros e tal. Mas é como disse, prefiro suportar os custos dos erros, disfrutando do que querias e precisava para me sentir bem, do que pensar, pensar como tu e muitos e depois dar conta que passou o tal ano sem que nada tivesse feito em prol do meu bem-estar (sanidade mental era mais o termo..) :))
Mazdak disse…
escuta, assim nã vendes a casa a niguem, não queras fazer o novo post a elogiare a "belissima" mansão. hasta...
Mar disse…
Ehehehe, agora fartei-me de rir. Sabes que eu quando escrevi o post pensei nisso mas como não resisto a contar os dissabores em que me meto...

(a mansão até é boa, as minhas manias e feitio é que não ajudam nada) :-))

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