"Tenho um pedido a fazer-vos.
Que enquanto me olharem, não me vejam aqui a mim.
Não vejam a mulher que vos lê estas linhas, olhem-me e vejam no meu lugar todas as mulheres do Alentejo. Aquelas que nem escrever ou ler sabem, também.
Quero pedir-vos que olhem e vejam aqui, neste dia, neste momento, o campo de trigo imenso que é preciso ceifar, ainda que as pernas inchem do esforço e as costas mal consigam voltar ao lugar. Mesmo que o sol aperte e a criança que está para nascer já se anuncie.
E peço-vos que ouçam. Que as ouçam. Ouçam o cante com que se engana a fome e se saúdam os amanhãs que hão-de vir. Melhores, um dia. Ouçam a Maria e a Joana, a Etelvina, a Antónia, a Luzia, a Guilhermina, a Gabriela e a Laurentina...e ouçam a Catarina.
Não olhem para mim. Olhem para todas as mulheres que antes de mim lutaram e cantaram, ombrearam com os homens e, de bandeira em punho, acreditaram que haviam de alcançar um Mundo melhor.
É por todas elas que aqui estamos hoje"
* excerto da intervenção que tive a honra de ser convidada a fazer na inauguração do Memorial de Homenagem à Mulher Alentejana, no Dia Internacional da Mulher.


Fotos: José Maria
Que enquanto me olharem, não me vejam aqui a mim.
Não vejam a mulher que vos lê estas linhas, olhem-me e vejam no meu lugar todas as mulheres do Alentejo. Aquelas que nem escrever ou ler sabem, também.
Quero pedir-vos que olhem e vejam aqui, neste dia, neste momento, o campo de trigo imenso que é preciso ceifar, ainda que as pernas inchem do esforço e as costas mal consigam voltar ao lugar. Mesmo que o sol aperte e a criança que está para nascer já se anuncie.
E peço-vos que ouçam. Que as ouçam. Ouçam o cante com que se engana a fome e se saúdam os amanhãs que hão-de vir. Melhores, um dia. Ouçam a Maria e a Joana, a Etelvina, a Antónia, a Luzia, a Guilhermina, a Gabriela e a Laurentina...e ouçam a Catarina.
Não olhem para mim. Olhem para todas as mulheres que antes de mim lutaram e cantaram, ombrearam com os homens e, de bandeira em punho, acreditaram que haviam de alcançar um Mundo melhor.
É por todas elas que aqui estamos hoje"
* excerto da intervenção que tive a honra de ser convidada a fazer na inauguração do Memorial de Homenagem à Mulher Alentejana, no Dia Internacional da Mulher.


Fotos: José Maria
Comentários
Um abraço
não findaram sem renovo
tiveram morte assassina
hão-de ter Vida de Novo
na Semente que germina
dos destinos do teu povo
É na noite negra negra
do teu cabelo revolto
nasce a manhã do teu rosto
NO FUTURO DE OLHOS POSTOS
um poema de Carlos Aboim Inglês
O artista morreu, a homenagem ficou, Obrigado Rogério Ribeiro.
cravodeabril e cantigueiro. Tamos em casa!
A morte do Rogério Ribeiro, ontem, dois dias depois de mostrarmos ao mundo esta sua obra, aquela que agora será a sua última. Tristeza. Queria dizer algo sobre isto mas não sei quando conseguirei transmitir o que quero.
A poesia, sempre. Alegria.
O humor, tão preciso. Boa amiga. :-)
E é uma grande perda, pesquisa lá a obra dele nas gravuras do Até Amanhã Camaradas, entre outros, beijos.
Acontece que o que eu quiz dizer é que não o conheci pessoalmente, como tive de conhecer outros vultos grandes como por exemplo o Francisco Miguel, natural de Baleizão mas que viveu muito tempo em Serpa que eu imaginava herculineo devido ao que me contava o meu avô a seu respeito.
Não tinha percebido era que o Rogério Ribeiro não tinha assistido à inauguração da obra que considero ser a maior homenagem às gentes grandes da nossa terra.
Aliás só hoje os noticiários televisivos falaram na sua morte.
E sim a única coisa que podemos dizer é até amanhã camarada, em qualquer outro Abril nos veremos.
Foi amiga, infelizmente. Consola-nos apenas que, como todos os grandes vultos, continuará a ser lembrado através da sua obra, do seu legado enquanto pessoa.