Avançar para o conteúdo principal
"Tenho um pedido a fazer-vos.
Que enquanto me olharem, não me vejam aqui a mim.
Não vejam a mulher que vos lê estas linhas, olhem-me e vejam no meu lugar todas as mulheres do Alentejo. Aquelas que nem escrever ou ler sabem, também.
Quero pedir-vos que olhem e vejam aqui, neste dia, neste momento, o campo de trigo imenso que é preciso ceifar, ainda que as pernas inchem do esforço e as costas mal consigam voltar ao lugar. Mesmo que o sol aperte e a criança que está para nascer já se anuncie.
E peço-vos que ouçam. Que as ouçam. Ouçam o cante com que se engana a fome e se saúdam os amanhãs que hão-de vir. Melhores, um dia. Ouçam a Maria e a Joana, a Etelvina, a Antónia, a Luzia, a Guilhermina, a Gabriela e a Laurentina...e ouçam a Catarina.
Não olhem para mim. Olhem para todas as mulheres que antes de mim lutaram e cantaram, ombrearam com os homens e, de bandeira em punho, acreditaram que haviam de alcançar um Mundo melhor.
É por todas elas que aqui estamos hoje"

* excerto da intervenção que tive a honra de ser convidada a fazer na inauguração do Memorial de Homenagem à Mulher Alentejana, no Dia Internacional da Mulher.

Memorial

Detalhe
Fotos: José Maria

Comentários

Susete Evaristo disse…
Olha eu ali e as minhas comadres! Obrigada
Um abraço
XICA disse…
Teus destinos Catarina
não findaram sem renovo
tiveram morte assassina
hão-de ter Vida de Novo
na Semente que germina
dos destinos do teu povo

É na noite negra negra
do teu cabelo revolto
nasce a manhã do teu rosto
NO FUTURO DE OLHOS POSTOS
um poema de Carlos Aboim Inglês

O artista morreu, a homenagem ficou, Obrigado Rogério Ribeiro.
XICA disse…
Tás com uma cara de entusiasmo!
XICA disse…
Novos destinos, gosti!
cravodeabril e cantigueiro. Tamos em casa!
Mar disse…
LOL! respondo á noite beijos às duas
Mar disse…
Tamos lá todas susete. 375 nomes de mulheres. ;-)
Mar disse…
Xixa os teus comentários deixam um misto de emoções:
A morte do Rogério Ribeiro, ontem, dois dias depois de mostrarmos ao mundo esta sua obra, aquela que agora será a sua última. Tristeza. Queria dizer algo sobre isto mas não sei quando conseguirei transmitir o que quero.
A poesia, sempre. Alegria.
O humor, tão preciso. Boa amiga. :-)
Susete Evaristo disse…
Realmente! Eu não conhecia o pintor mas até arrepia saber este tipo de noticias. Ainda bem que pode assistir à inauguração da obra que o fará ficar na memoria das gentes de Beja e de todos quantos admirarem a sua obra.
Mar disse…
(ele já não assistiu susete, que estava muito doente, veio alguém em sua representação).
E é uma grande perda, pesquisa lá a obra dele nas gravuras do Até Amanhã Camaradas, entre outros, beijos.
Susete Evaristo disse…
Eu tenho o livro amiga e é para mim o testemunho maior dos que generosamente trabalharam para a Festa da Liberdade que vivemos com o 25 de Abril.
Acontece que o que eu quiz dizer é que não o conheci pessoalmente, como tive de conhecer outros vultos grandes como por exemplo o Francisco Miguel, natural de Baleizão mas que viveu muito tempo em Serpa que eu imaginava herculineo devido ao que me contava o meu avô a seu respeito.
Não tinha percebido era que o Rogério Ribeiro não tinha assistido à inauguração da obra que considero ser a maior homenagem às gentes grandes da nossa terra.
Aliás só hoje os noticiários televisivos falaram na sua morte.
E sim a única coisa que podemos dizer é até amanhã camarada, em qualquer outro Abril nos veremos.
Susete Evaristo disse…
Ressalvo:"... como tive o prazer de conhecer..."
Mar disse…
(bem me parecia que não podisas deixar de conhecer a obra dele...)

Foi amiga, infelizmente. Consola-nos apenas que, como todos os grandes vultos, continuará a ser lembrado através da sua obra, do seu legado enquanto pessoa.

Mensagens populares deste blogue

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós.  É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...