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Vozes

O prestígio é uma conquista pessoal.
Existe se, com actos e atitudes, com posições e vitórias várias e alguns sucessos incontestáveis, determinada pessoa foi provando ao mundo o seu valor.
Se não, não existe.
O prestígio traz reconhecimento.
Por parte de quem avalia o que foi alcançado por esse outrém, por parte de quem tem olhos na cara para ver, por parte de quem tem, ele também, a dose mínima de capacidade ou formação pessoal que lhe permita fazer essa mesma avaliação conducente ao dito reconhecimento. Nem toda a gente tem competência para tal. E essa, a que não a possui, só sabe experimentar a inveja. É a sua forma de constatar o mesmo facto, o que acaba por ir dar ao mesmo: o reconhecimento do prestigio de alguém.
O prestígio, principalmente se já acumulado ao longo do tempo, traz segurança a quem o detém. Uma segurança interior que se reflecte, de forma inconsciente, no tom de voz.
Tudo isto me ocorreu hoje, enquanto conduzia ouvindo uma entrevista numa das estações de rádio locais. Alguém respondia ao entrevistador com este tom de voz. Mantinha um registo sereno mas firme, à medida que ia clarificando uma a uma as questões que lhe eram colocadas. Com clareza e a utilização correcta, na hora certa, de cada vocábulo ou expressão gramatical. Com afirmações concisas. Com confiança. E segurança. Nunca vi esta pessoa na vida. Nem lhe conheço o percurso pessoal. Sei apenas do cargo que, no momento presente, ocupa. Mas soube de imediato que era assim.
Ouvir pessoas assim é uma experiência gratificante. Tantos que são os exemplos confrangedores do oposto, por parte de quem, supostamente, terá responsabilidades máximas ao nível da Nação e, por inerência, dos nossos destinos. De todos nós. Tanta é a incompetência gritada literalmente pelos próprios, enquanto tentam afirmar o contrário.
Não é fácil alguém conseguir o reconhecimento do seu prestígio. Nem vale a pena o esforço.
Se ele existir, assume como que uma existência e vontade próprias. Salta à vista.

Comentários

Susete Evaristo disse…
Mar desculpa se uso a tua caixa de comentários para te enviar e pedir que assines a petição da pág. que abaixo transcrevo. O video que apresenta é demasiado cruel para ficar indiferente. Beijinhos
a.s.b.l. Respect-ev
www.respect-ev.org
cereja disse…
Apoiado. Muito, muito apoiado!
Há quem saiba do que fala e isso traz uma segurança e serenidade indiscutíveis, e quem se equilibre no arame a ver quando lhe falta o pé, e são os mais arrogantes e confusos nas explicações que dão.
Ando cansada de o verificar!
(Claro que quando se traduz em lugares de chefia, é de susto!)
cereja disse…
Susete, já assinei.
Não sei se chega, mas alguma coisa se tem de fazer!
Mar disse…
suzete, usa e abusa da minha caixa de comentários sempre que quiseres para divulgar este tipo de questões, estás à vontade. Mais, até te agradeço. Divulgar é uma arma poderosa para combater toda a espécie de injustiça ou abuso.
Mar disse…
Pois, Emiéle, gostei muito dessa imagem do equilíbrio no arame a ver quando falta o pé. O mal é que este tipo de actuação verifica-se é mesmo em boa parte dos lugares de chefias, aos vários níveis, desde o chefe de repartição até ao alto dirigente da Nação. E isso advém de uma só coisa: falta de competência apra o exercício dos cargos. Coisa que, como sabemos, não é assim tão rara na Nação que temos, né? (mas tens razão, é de susto. Porque deles dependemos todos nós...)
Esther disse…
Oi, mar... Apareça vez ou outra lá do outro lado , sei que o tempo é curto , mas gostava de mantermos o contato.
Bom início de ano para tí.
Mar disse…
Olá cris, que vergonha...eu sei, pois é, tempo curto mas a verdade é que também não queria perder o contacto consigo, amiga do outro lado do mar. Lá irei dar "um dedo de conversa" em breve. Beijo
Anónimo disse…
IMPRESSIONANTE,COMO UM SIMPLES COMENTÁRIO DE UMA CONSTATAÇÃO DE FACTOS, CONSEGUE SER POÉTICO
Mar disse…
Não sei a qual comentário se refere o caro anónimo mas parece-me que podemos concluir que algum deles lhe agradou e isso só pode ser bom. Volte sempre!

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