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Já lá vai o tempo

em que por aqui se escreviam coisas de jeito, desabafos intimistas, conversas sérias mais para uso pessoal e memória futura do que para qualquer outro fim.
Não é fácil manter esse registo. Porque se esgota, porque se censura o que pode e não pode ser do domínio público, porque há olhos que não interessa que nos leiam a alma. É certo que há sempre a hipótese de "montar" casa nova, que é como quem diz começar de novo, num URL qualquer anónimo com um nome catita. Mas depois fica a faltar a componente essencial de ter dois ou três amigos a conversar connosco, aquele hábito, como todos os hábitos difícil de largar, de passar por aqui e ver o que disse a malta do costume. Há até quem se tenha tornado apologista do "blog por convite", essa coisa híbrida que fecha a porta na cara ao maralhal anónimo que vagueia pela net e deixa entrar apenas a elite por si seleccionada. Mas o que ganha em segurança ou asseio ou lá o que seja, perde em espontaneidade, na interacção que tantas vezes se gera com pessoas que não conhecemos de lado nenhum e que torna tão apelativa esta vida paralela. Para mim, pelo menos.
Das poucas pessoas que conheci pessoalmente, através da blogosfera, mantenho gratas recordações, com uma ou duas excepções apenas. Se do deve e haver este post tratasse, então o saldo no final da página, escrito a lápis em números redondos, seria francamente positivo. Sorte, dirão alguns, escolha criteriosa, avanço eu. Uma espécie de diz que é intuição para o fundo bom de quem escreve determinado texto. Um dedinho que adivinha a basófia que subsiste por detrás de outros.
Chamem-lhe balanço, se quiserem. Aquele que não fiz no final do ano porque não faço o que é suposto fazer mas, tão-sómente, o que me apetece.
Ficarei por aqui mais uns tempos.

Comentários

Anónimo disse…
A tua aversão a blogues por convite faz-me lembrar a minha a quem não bloga senão como anónimo nas caixas dos outros para mandar umas bocas quando dá jeito ou se acham metidos/as na conversa.
No entanto, há blogues por convite que proporcionam excelentes momentos a quem os pode aceder. Já os comentadores pontuais só produzem lixo e temos todos que levar com ele...
Anónimo disse…
Por "comentadores pontuais" entenda-se os que só aparecem para dizer mal, anónimos/as, e que nada de concreto oferecem para poderem ser avaliados pela mesma bitola.
Mar disse…
Acho bonita, a sério, essa tua "defesa" de uma realidade que decerto conheces melhor que eu(que não entro em nenhum blogue como convidada, até ao momento e tenho dúvidas se o virei a fazer algum dia).
Agora, eu só acho que se é assim, uma cena por convite então que não se lhe chame blog, chamem-lha pa´gina pessoal, sítio privado, o que seja porque, hás-de convir, clicares num link como sempre fazes quando queres conhecer um blogue e esbarrares com o letreiro, em termos do conceito de liberdade com que criámos todos esta plataforma, it sucks. Mas isso sou eu que acho. Tudo quanto me cheire a segregação, diferente tratamento consoante a classe social e tal, por aí...
Já quanto aos comentadores indesejáveis, olha, vejo menos mal em activar a moderação da caixinha (que a ti não te agrada) do que criar um blogue só para receber convidados.
Mar disse…
(mas olha que este post não era sobre isso. Pelo menos, não era "só" sobre isso) :-)
Anónimo disse…
Essa fotografia que te tirei dá um avatar catita... :-)
Mar disse…
Pois dá. Aliás todas as que me tiraste estão cinco estrelas. :-)(mas a idéia não era ela aparecer aqui, apenas no perfil...hum... embora eu nem a consiga ver mas isso deve ser outro problema.)
cereja disse…
Bem se ficas "por aqui mais uns tempos" tás desculpada deste desabafo, mas ainda nos assustaste.
Essa coisa dos blogs por convite, nem sabia que existi até receber um convite para entrar num. Mas tenho de dizer que não consigo entender. A piada do blog está em ser livre e aberto. Aliás também não entendo lá muito bem aqueles que não têm comentários - sentia-me a falar para o boneco... O feed-back faz-me falta.
Anónimo disse…
Também pensei que ias dar de frosques... tens cada ideia :)

Percebo essa coisa da auto-censura, mas começo a libertar-me disso e a convencer-me que não passo de ficção, aliás, belíssima ficção.
Queres convite? Aparece lá por casa, mulher. Até acho que aquilo é mesmo por convite porque somos bem poucos!!! :)
Mar disse…
É exactamente essa a minha perspectiva, Emi´le. Obrigada por a expressares tão bem. :-)
Mar disse…
LOL! Às vezes, ciranda, às vezes (isso de ter idéias). :-)

Mas olha que percebeste maol o post, eu NÃO quero convite, pelo contrário. Eu não concebo sequer é o interesse da existência da coisa, é disso que se trata, como a Emiéle acaba de explicar tão bem. Mau feitio, pronto. :-)))
Anónimo disse…
Achas que a Ciranda é por convite, Mar??? na minha última festa de anos só apareceram os meus pais e as manas, o resto baldou-se...
Mar disse…
Não acho nada, ciranda, estava a referir-me aos tais blogues por convite quando afirmei que não queria convite nenhum para a coisa porque não lhe via qualquer interesse (nos blogues por convite, fechados à vista do cidadão comum que bloga e abertos aos tais convidados apenas), percebeste agora?

O Ciranda é como aqui o Ponto: uma casa aberta a toda a gente! :-))

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