melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
(agora até me parece que vou acrescentar ao roteiro a nova série Dexter portanto a coisa fica ainda mais compostinha) :-)))
Agora a sério, não acho nada difícil de mastigar, é-me fácil seguir-lhe o fio do raciocínio e é precisamente porque algumas construções frásicas são tramadas que não dá para desgrudar, com medo que ele (o fio do raciocício) nos fuja entre dedos, enquanto não se chega ao fim do capítulo. :-)
Mas sabes que esse desconforto que referiste acaba por ser a prova de que o livro alcançou os seus objectivos.
O Rodrigo G. de Carvalho, aquando da apresentação aqui em Beja, disse que quando acabou de escrever esse livro em particular era de noite e a mulher estava a dormir mas ele teve uma necessidade incontolável de se ir abraçar a ela e dizer-leh que gostava muito dela...podes ver, né? O livro é mesmo forte e, por isso, fantástico. :-)
Mas depois conversamos. :-))