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És a minha poesia favorita


Descubro rimas e quadras no sorriso que me trazes da escola, no cheiro a óleo Johnson sempre que sais do banho, nas tuas gavetas onde guardo as camisolas interiores de algodão macio. Tens poesia nas palavras com que me descreves a forma de construir um marcador de livros em cartão reciclado ou que utilizas para me explicar com a maior seriedade porque é que eu devo comprar-te a Nintendo com o jogo dos cães.
És um soneto em todas as vezes que passas os bracitos em torno do meu pescoço e me encostas essa face com cheiro a bolacha maria ao pescoço e me dizes que sou a melhor mãe do mundo.
Vejo-te crescer, a cada dia que passa mais forte, ainda que a tua voz continue a soar a bébé, mais independente, a construir a tua própria estrada, que eu vou limpando de pedregulhos e ervas daninhas à medida que posso, sempre num afã aflito, para que não me escape nenhum buraco escuro onde te possas perder.
E amo-te incondicionalmente enquanto te vigio o sono inocente e te beijo os cabelos e te aconchego a mim para o colo onde antes cabias inteira e ainda sobrava espaço.
A tua vinda a este mundo fez de mim um outro ser, enfim completo, encheu-me o peito e as mãos de uma ternura que eu não sabia existir, tornou-me maior, mais perene nesta vida, prolongada por ti, meu pedaço de poesia que por cá deixarei.

amor maior
Foto Mar

* em letras muito pequenas para podermos fingir que não existem, mas capazes de falar do horror, do choque, sem saber que força maléfica torna uma mãe louca insana perdida bichoselvagem destruida, capaz de chamar um a um os cinco filhos para os degolar.


Comentários

shark disse…
Bem, isto é o que eu chamo o anti-climax perfeito...
Depois de me deliciar com uma ode de mãe, rasgo-me todo com as letrinhas pequenas.
Uma e outra dimensões mexem comigo.
Espectáculo de post, em resumo.
(E a "Violeta" é mesmo uma menina... menina)
Mar disse…
A ode de mãe já existia, está sempre presente na minha cabeça e já assumiu várias formas de post que nunca cheguei a publicar.
As letrinhas pequenas fizeram-se sentir que não podia deixar passar mais um segundo que fosse sem a cantar. A ode. Obrigada Shark, em resumo.

(e sim, é mesmo. uma delícia) :-))
Anónimo disse…
Mar,
chama-me piegas, mas pela primeira vez li um texto na net que fez com que não conseguisse conter as lágrimas e me atou a garganta com um nó dificil de desfazer
... e não consigo dizer mais.
Um beijo.
Mar disse…
Maria papoila, piegas nunca! Sensível, isso sim, presa das emoções e ainda bem. O pior que há é deixarmos de sentir. Boas ou más, são as emoções que nos mantêm vivos.

E olha, obrigada e outro beijo. Sem mais, também. ;-)

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