
O copo com a imperial tombou em câmara lenta sobre o tampo da mesa e nenhum dos presentes conseguiu deitar-lhe a mão a tempo de evitar o pior. Ninguém esboçaria sequer um gesto nesse sentido.
Pela névoa que o meu olhar baço transmitia ao cérebro para processamento nas calmas assisti à formação da pequena enxurrada que não tardou a encontrar, pelo meio de guardanapos de papel ensopados, palitos usados e cascas vazias de caracol, o leito ideal para o meu colo desguarnecido.
Todos os olhares em redor daquela távola de cavaleiros desandantes acompanharam a custo a progressão da maré espumante, depois de se certificarem que o rumo da mesma apontava para qualquer outro conviva. E eu de perna aberta a aguardar o banho gelado de espuma para arrefecer de forma irremediável qualquer entusiasmo involuntário da minha zona genital nesse serão que se ambicionava predador.
Tudo nas calmas, três espectadores bamboleantes mas atentos e um protagonista de circunstância, convocado da plateia para participar no espectáculo cujo final se conhecia por antecipação. A vedeta era eu, colado à cadeira sem reacção enquanto a cerveja escorria pela borda da mesa e pingava fresca sobre as calças de ganga que não tardariam a transmitir-me o frio.
Senti um arrepio, deu-me essa ideia. E soou na esplanada o trio da gargalhada à conta do azarado dessa sessão.
Rumaria a casa sozinho, devagar devagarinho até ao momento de procurar a chave certa no meio de uma multidão de pedaços de metal cuja utilidade desconhecia. Nessa altura parei. A contemplar as chaves de portas que há muito não abria e lá pelo meio apenas uma capaz de me permitir a entrada no patamar da escada onde poderia finalmente buscar o auxílio de um ascensor na tecla gravada número um.
Raciocínio profundo, condimentado pelos vapores etilizados que acrescentavam ao chaveiro os falsos duplicados que aumentavam a incógnita.
O tacto desnorteado em busca do orifício onde todas as tentativas se frustravam, grandes ou pequenas demais.
A madrugada a colaborar, com o frio do Outono a acordar os sentidos à flor da pele. Mas o discernimento incapaz de processar tamanha quantidade de informação. A porta de metal fechada, barreira intransponível para a segurança de um espaço oco e o conforto ambicionado numa cama fria sem lençóis.
Nenhum vizinho oportuno, noctívago, naquela rua de gente ajuizada e com um dia de trabalho para enfrentar poucas horas depois da minha odisseia entornada num acaso infeliz.
O sol escondido no horizonte, não muito distante o momento de despontar para iluminar a minha desdita. E a lua como testemunha discreta do meu estado vergonhoso numa noite exagerada no consumo e na coincidência indesejada.
E eu sentado na calçada a acariciar entre os dedos um molho de chaves inúteis, conformado com esta sorte minha.
A máquina fotográfica a tiracolo, pronta para captar a bela luz de mais uma aurora alfacinha.
Pela névoa que o meu olhar baço transmitia ao cérebro para processamento nas calmas assisti à formação da pequena enxurrada que não tardou a encontrar, pelo meio de guardanapos de papel ensopados, palitos usados e cascas vazias de caracol, o leito ideal para o meu colo desguarnecido.
Todos os olhares em redor daquela távola de cavaleiros desandantes acompanharam a custo a progressão da maré espumante, depois de se certificarem que o rumo da mesma apontava para qualquer outro conviva. E eu de perna aberta a aguardar o banho gelado de espuma para arrefecer de forma irremediável qualquer entusiasmo involuntário da minha zona genital nesse serão que se ambicionava predador.
Tudo nas calmas, três espectadores bamboleantes mas atentos e um protagonista de circunstância, convocado da plateia para participar no espectáculo cujo final se conhecia por antecipação. A vedeta era eu, colado à cadeira sem reacção enquanto a cerveja escorria pela borda da mesa e pingava fresca sobre as calças de ganga que não tardariam a transmitir-me o frio.
Senti um arrepio, deu-me essa ideia. E soou na esplanada o trio da gargalhada à conta do azarado dessa sessão.
Rumaria a casa sozinho, devagar devagarinho até ao momento de procurar a chave certa no meio de uma multidão de pedaços de metal cuja utilidade desconhecia. Nessa altura parei. A contemplar as chaves de portas que há muito não abria e lá pelo meio apenas uma capaz de me permitir a entrada no patamar da escada onde poderia finalmente buscar o auxílio de um ascensor na tecla gravada número um.
Raciocínio profundo, condimentado pelos vapores etilizados que acrescentavam ao chaveiro os falsos duplicados que aumentavam a incógnita.
O tacto desnorteado em busca do orifício onde todas as tentativas se frustravam, grandes ou pequenas demais.
A madrugada a colaborar, com o frio do Outono a acordar os sentidos à flor da pele. Mas o discernimento incapaz de processar tamanha quantidade de informação. A porta de metal fechada, barreira intransponível para a segurança de um espaço oco e o conforto ambicionado numa cama fria sem lençóis.
Nenhum vizinho oportuno, noctívago, naquela rua de gente ajuizada e com um dia de trabalho para enfrentar poucas horas depois da minha odisseia entornada num acaso infeliz.
O sol escondido no horizonte, não muito distante o momento de despontar para iluminar a minha desdita. E a lua como testemunha discreta do meu estado vergonhoso numa noite exagerada no consumo e na coincidência indesejada.
E eu sentado na calçada a acariciar entre os dedos um molho de chaves inúteis, conformado com esta sorte minha.
A máquina fotográfica a tiracolo, pronta para captar a bela luz de mais uma aurora alfacinha.
Comentários
(e eu por fora, laureando a pevide, que não é nada disso, ai, ai, vida de mulher com carreira...) ;-))
(bem-vindo parceiro)
Espero que esteja tudo a correr bem nesse domínio carreirista. :)
E já na adolescência coleccionei um número apreciável deste tipo de situações, pois dizem que tenho "bom vinho" e dá-me pra todo o tipo de paródia e a malta fomenta... :)
Estas coisas são como andar de bicicleta, não é?