
aqui
um búzio e lembro-me de ti.
Lá dentro, um som distante de vozes salgadas, guarda os segredos que contámos um ao outro.
Pego-lhe e escondo-o na sacola de pano crú que levo sempre a tiracolo. Mais tarde, servirá para me alimentar a saudade das marés de inverno. Aquelas que se desfaziam contra as rochas, enquanto prolongávamos os almoços até quase se tornarem jantares.
Continuo o percurso e sai-me ao caminho uma pedra lisa, redonda. Faço-a rodar na palma da minha mão e sinto a sua pele macia, gasta pelo tempo e pelos temporais, voltas e mais voltas pelos fundos oceânicos, um mundo inteiro percorrido até chegar aqui. Agora. À minha mão.
Meço-lhe o peso em jeito de balanço e sei que posso pintar-lhe um sol e uma flor e oferecer-ta de presente. Ficará bem na tua mesa de trabalho, por cima de um monte de papéis que assim não voarão, mesmo que deixes aberta uma janela, esquecida.
No fim desse dia, ainda hei-de encontrar folhas de àrvore cor-de-rosa em forma de estrela, duas caricas velhas, um coto de vela perfumada por arder e um avião de papel com uma asa amolecida pela chuva.
São coisas que recolho para te dar porque sei que a amizade é como uma casa onde cada pequeno e insignificante tijolo é essencial para alicerçar a grandiosidade do conjunto.
Lá dentro, um som distante de vozes salgadas, guarda os segredos que contámos um ao outro.
Pego-lhe e escondo-o na sacola de pano crú que levo sempre a tiracolo. Mais tarde, servirá para me alimentar a saudade das marés de inverno. Aquelas que se desfaziam contra as rochas, enquanto prolongávamos os almoços até quase se tornarem jantares.
Continuo o percurso e sai-me ao caminho uma pedra lisa, redonda. Faço-a rodar na palma da minha mão e sinto a sua pele macia, gasta pelo tempo e pelos temporais, voltas e mais voltas pelos fundos oceânicos, um mundo inteiro percorrido até chegar aqui. Agora. À minha mão.
Meço-lhe o peso em jeito de balanço e sei que posso pintar-lhe um sol e uma flor e oferecer-ta de presente. Ficará bem na tua mesa de trabalho, por cima de um monte de papéis que assim não voarão, mesmo que deixes aberta uma janela, esquecida.
No fim desse dia, ainda hei-de encontrar folhas de àrvore cor-de-rosa em forma de estrela, duas caricas velhas, um coto de vela perfumada por arder e um avião de papel com uma asa amolecida pela chuva.
São coisas que recolho para te dar porque sei que a amizade é como uma casa onde cada pequeno e insignificante tijolo é essencial para alicerçar a grandiosidade do conjunto.
Comentários
E aparenta solidez nas fundações, esta tua "arquitectura".
Gosto deste registo "espelhado", pois é aquele em que melhor exibes o teu jeito com as palavras (e as imagens escritas) que utilizas.
E gostei da expressão, registo "espelhado".
São textos que se lêem,que sabem bem, mas que no fundo não pedem resposta.
Contudo já cá pessei tanta vez, que comento pelo menos para marcar presença. E ...dizer que é difícil comentar!!!