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Hoje

puxaram-me pela veia política aquela, que anda ali tão disfarçada entre a aorta e outra qualquer que lhe passe ao lado, a ver se não dá muito nas vistas, low profile que já lá vai o tempo em que era preciso estar sempre a embandeirar por tudo e por nada.
Ora a dita, a veia, desta vez saltou logo, pulsante de entusiasmo, à medida que lia o post do Shark, embrulhou-se toda lá com as outras - um pandemóniuo desgraçado e a tensão arterial a pagá-las - e resolveu aparecer e dar nas vistas de todos, eu é que sou a veia principal e mais isto e mais aquilo.

O tema toca-me, como lá digo.
Porque sou mãe de uma criança que beneficia do mesmo sistema que a filhota do Shark, em condições diametralmente opostas.
Porque, como lá lhe digo, não se deve meter tudo no mesmo saco e os bons exemplos devem ser divulgados, espalhados aos sete ventos alto e bom som, contra a nacional tradição da maledicência, em que só se dá relevo ao que está mal feito. Como fazem alguns blogues que só sobrevivem de dar conta dos erros dos outros mas depois não publicitam que, por cada erro há dezenas e dezenas de intervenções bem executadas. Casos de sucesso. Reconhecidos por todos quantos, de forma isenta, os queiram avaliar.
É o caso das actividades de complemento curricular impostas pelo Ministério da Educação, aos meninos do primeiro ciclo.
O que até poderia ser uma medida facilitadora da vida de alguns pais, transforma-se, nalguns casos, num verdadeiro inferno, como nos dá conta o Shark.
Porque o Estado, constitucionalmente responsável por assegurar o acesso à Educação aos seus cidadãos, delega nas Autarquias Locais, o papel que não consegue cumprir. E lava as mãos daí para a frente, enviando uns trocos para fazer face a uma parte dos custos, como se nada mais fosse com ele.
Depois, há autarquias que se empenham e outras que não.
Em Beja, a Câmara Municipal contratou todos os docentes para ministrar estas aulas. No caso da minha filha, a Câmara Municipal, assegura o transporte de ida e volta até ao local onde ela tem aulas, enquanto decorrem as obras de remodelação da sua escola.
E ela sente-se priviligiada por ter aulas no quartel, onde beneficia de excelentes instalações e até faz continência aos militares que tratam "os meninos" nas palminhas quando os encontra e a reconhecem no supermercado.
A Câmara Municipal paga uma parte das refeições que os miudos consomem, sobrando para os pais apenas um valor residual. E vai ser assim para todas as escolas da cidade, rotativamente, porque todas vão sofrer obras de remodelação.

Uivaram muitos cães a esta carruagem, enquanto decorreu o processo de decisão.
Mas o resultado, hoje, é os putos todos a dizerem que querem ser militares quando forem grandes, pais descansados até às 16, 17 horas, a reconhecer o mérito da solução que foi adoptada pela autarquia, depois de muitas horas de negociações com entidades várias, miúdos a aprender inglês e música felizes da vida. (já nem posso ouvir o raio da flauta lá em casa...)

Sim, tenho orgulho na minha Câmara Municipal e espero bem que se note.

Comentários

shark disse…
Que inveja, pá...
Realmente fazia falta a alguns sentirem na pele "o outro lado" do filme para notarem as diferenças.
Isto ainda é o efeito Santana Lopes a pôr Lisboa no mapa (leia-se "livro de fiados"). :)
Certo, certo, é que enquanto a Câmara de Lx não se baldar ao guito ficam, só naquela escola, quase cem famílias penduradas...
Mar disse…
Francamente...cem famílias são, no mínimo, cem crianças...
Enfim, vejam as diferenças. POde ser que um dia lhes entre nas cabeças duras que a gestão pode ser diferente dependendo das pessoas certas e das ideologias que defendem. ;-).
cereja disse…
Até podia ser fácil mas em muitos casos é extremamente difícil pôr de pé essas actividades de apoio á família. Na zona de Lisboa e Grande Lisboa é um inferno porque de facto para além da evidência das actividades pedagógicas da responsabilidade do Ministério da Educação não ocuparem as crianças senão uma parte do tempo, devemos levar em conta as enormes distâncias que vão do trabalho a casa. Numa cidade mais pequena, esse factor é quase insignificante mas aqui em Lisboa é terrível. Quando uma mãe leva uma hora e meia a chegar a casa, ou o seu trabalho acaba cedíssimo - o que nunca acontece, pelo contrário - ou existe um periodo onde a criança não terá apoio. Dantes era essa a função da Segurança Social; hoje, como os estabelecimentos da S.S. estão a ser entregues ao privado, os pais andam desesperados.
Mas é bom saber que existem boas práticas! Para Beja não sei, mas para Évora já me pensei mudar...
Mar disse…
Estás sempre a tempo de escolher uma vida pacata, em qualquer desses dois locais, Emiéle ;-)
Mas é claro que percebo o que dizes, as grandes cidades ou têm instituições de tempos livres a funcionar, do Estado(como deveria ser), baratas, com horários adequados à disponibilidade dos pais, ou então é o inferno.

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