melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
No futuro podiam sempre dizer que foi um exagero, "prisões? ná...", e limpavam a memória colectiva desse "papão" que neste país embriagado de futilidade parece nunca ter existido...
ler o resto do texto, rodando para baixo com o rato, ou clicando nas setas à direita do rato. Obrigado pelas palavras, um abraço!
Não sei se tem a ver com alguma incompatibilade entre configurações mas, nos dois computadores onde tentei ler o teu blogue, a página aparece em branco, do meio para baixo e nem há setas ao lado direito nem nada..
Shark, não duvides que há-de sempre haver atentados à nossa memória colectiva, no que toca às partes menos "honrosas" do percurso da História de Portugal...
e é como dizes: mesmo que os governos não se empenhem muito em apagar os rastos do fascismo, a malta não tá muito virada para essas lembranças menos felizes...viva o fado e a tourada e o futebol!!