
Escrevi uma vez sobre pesos e medidas.
De como o nosso sistema de aferição nunca coincide exactamente com o de outra pessoa, por mais que tentemos adaptá-lo, tira um miligrama aqui, agora acrescenta um decilitro ali, vá lá, só mais um jeitinho, de certeza estará mesmo a chegar o momento mágico em que os pratos páram, alta precisão a conjugar-se na perfeição, o prato do lado esquerdo como uma imagem simétrica do do lado direito.
Lado a lado. Como duas mãos que se dêem. Sem desvios-padrão nem intervalos em branco por preencher.
Puro engano ou impossibilidade teórica. De nada vale julgarmos os outros pela nossa própria bitola.
Porque, onde para uns há tempo mais que suficiente para se obter um objectivo apregoado, para outros haverá sempre uma razão mais do que forte para prolongar a coisa um pouco mais. O acto que é inócuo se fôr eu a autora, pode ser considerado letal se sair das mãos de outra pessoa.
Puro engano ou impossibilidade teórica. De nada vale julgarmos os outros pela nossa própria bitola.
Porque, onde para uns há tempo mais que suficiente para se obter um objectivo apregoado, para outros haverá sempre uma razão mais do que forte para prolongar a coisa um pouco mais. O acto que é inócuo se fôr eu a autora, pode ser considerado letal se sair das mãos de outra pessoa.
Pesos e medidas.
Cada um com os seus.
Comentários
É mesmo assim, pá. E nunca nos conseguimos enfiar na pele dessas outras pessoas.
De uma lucidez espantosa, esta tua reflexão...
Apenas concluo que nós temos sempre tendência para desvalorizar os nossos próprios actos. Quando apreciamos actos idênticos nos outros, por vezes, damos por nós a criticá-los e é aí que devemos "pôr a mão na consciência" para ver se nãio teremos já feito nós o mesmo. Acho eu, que sou dada a estas reflexões sobre a natureza humana...