melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
No mais, concordo em tudo. Não há palavras para a ausência definitiva de um amigo, nem para a falta que nos faz.
Oportunamente aqui deixarei o link para o encarte que vai sair sobre ele nos jornais locais.
E obrigada pelas tuas palavras. :-)
por isso, não choro por quem parte. prefiro celebrar o privilégio que tive por conhecer, por estar, por conviver com quem partiu.
e, um dia destes, também eu seguirei o meu caminho... partirei desta estação e, quem sabe, não voltarei a encontrar todos os meus companheiros de viagem que partiram antes de mim...
E, apesar de chorar (pouco que é coisa que não consigo fazer) Por quem parte, celebro sempre o privilégio que tive por ter tido essas pessoas na minha vida, lá isso é verdade.