que no nosso caso, leia-se gente adulta, qualquer grande crise existencial com direito a lágrimas, afundanços de barriga para baixo na cama, portas a bater, posts inflamados num blog (sim, porque a evolução da espécie determina que fedelhas de 12 anos já tenham blog) de "ai sou tão infeliz nunca mais vou conseguir sorrir a minha vida acabou", também se curasse de repente com uma sms recebida e um recado atirado "Mãeee, vou agora ali brincar pró parque".
melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
(escrito em afudanço no sofá e de barriga para baixo)
;-))