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Uma palavra*

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.

Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

Uma voz na pedra
António Ramos Rosa



* de vez em quando lembro-me que tive um outro blogue. E, vagueando por lá, descubro coisas que tenho, obrigatoriamente, que recuperar.

Comentários

shark disse…
Sou suspeito, mas acho que sim. Embora te acredite e te veja capaz de fazeres ainda melhor aqui.
Mar disse…
:-)

Eu também sei que sou capaz só que, às vezes, tenho alguma dificuldade em acreditar.(e falta de tempo, dado que tenho que andar de saltos altos na rambóia LOL!)
Anónimo disse…
Da fé e da crença trato eu. Cuida mas édo equipamento prá rambóia que é pra não te andares a chorar depois... :-)
(Além de que com saltos altos andas mais devagar e assim sobra menos tempo para escrever.)
Mar disse…
A chorar só se fôr com dores nos pés...
Sim, porque de certeza não vai ser por ter embutido mais ou menos caracolitos com "emperiais" ná....;-))

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