uma história para te contar. Ouves-me? Preciso que me ouças e de ta contar, aqui, do lado de cá de um tampo gasto de uma mesa de café. Onde aportámos como dois náufragos em busca da última réstea de esperança.
Quero que me ouças sem falar, de cabeça baixa para que me não tremam os lábios por olhar para os teus, por neles me concentrar à força, na fuga de encarar esses teus olhos. Profundos...És capaz? Hoje é o dia de desembrulhar todos os segredos, de deixar fluir as palavras, as que queimam, as que engulo sempre que, do lado de cá da mesa, te sorrio e respondo e finjo e fito a tua boca para não me perder nos teus olhos. Para não te dizer que não é disso que quero falar. Não é das coisas simples e banais que quero falar hoje. Essas converso-as com o homem comum, com quem me cruzo enquanto pago o café ou compro o jornal. A quem é fácil olhar de frente, nos olhos normais e responder que o tempo está bom ou que amanhã vamos ver quem ganha o jogo. E sorrir. Sem que me tremam os lábios. Contigo quero falar do que nos une e nos separa. Do que, colocado em pequenas porções numa balança de alta precisão fará pender o prato. Qual deles? Não, não levantes a cabeça. Sou só eu a pensar alto. A pensar como nunca soube bem responder a esta pergunta. E porque terá isto acontecido? Será assim tão difícil de entender? Será que tenho sido sempre eu a não querer entender? Se calhar foi apenas isso...um devaneio que nos tolda o raciocínio e nubla a capacidade que temos de avaliar a realidade.
Quero que me ouças sem falar, de cabeça baixa para que me não tremam os lábios por olhar para os teus, por neles me concentrar à força, na fuga de encarar esses teus olhos. Profundos...És capaz? Hoje é o dia de desembrulhar todos os segredos, de deixar fluir as palavras, as que queimam, as que engulo sempre que, do lado de cá da mesa, te sorrio e respondo e finjo e fito a tua boca para não me perder nos teus olhos. Para não te dizer que não é disso que quero falar. Não é das coisas simples e banais que quero falar hoje. Essas converso-as com o homem comum, com quem me cruzo enquanto pago o café ou compro o jornal. A quem é fácil olhar de frente, nos olhos normais e responder que o tempo está bom ou que amanhã vamos ver quem ganha o jogo. E sorrir. Sem que me tremam os lábios. Contigo quero falar do que nos une e nos separa. Do que, colocado em pequenas porções numa balança de alta precisão fará pender o prato. Qual deles? Não, não levantes a cabeça. Sou só eu a pensar alto. A pensar como nunca soube bem responder a esta pergunta. E porque terá isto acontecido? Será assim tão difícil de entender? Será que tenho sido sempre eu a não querer entender? Se calhar foi apenas isso...um devaneio que nos tolda o raciocínio e nubla a capacidade que temos de avaliar a realidade.
O tempo corre devagar dentro do café enquanto o dia se faz noite e nesta ilha só nós dois existimos. Ou pelo menos era assim que eu gostaria que fosse. O mundo pára para mim, sempre que nos juntamos por momentos, sempre tão efémeros, que me fogem entre os dedos como areia fina que não consigo prender. E olho os teus, longos, nervosos, borboletas que sinto a esvoaçar sempre que me aproximo demasiado. Nunca quiseste que esses dedos me tocassem, mesmo que apenas ao de leve. E perdes-me, sabes? Porque haverá quem saiba conquistar o prémio que desprezas.
5.Dez.2007
5.Dez.2007