Tempos atrás, não sei precisar quando e nem sei bem se aqui no Ponto ou ainda no Espelho Mágico, contei uma história que ainda hoje me emociona.
Passara-se numa Festa do Àvante à qual tinha perdido o rasto, eu a minha dificuldade em precisar datas do passado, mesmo que importantes para mim.
Eu sei que subia sózinha uma das avenidas principais da Atalaia, aquela que vai dar ao espaço da Cidade Internacional. Talvez fosse beber uma água de coco, comprar colares nas bancas de artesanato ou Matrioskas para engrossar a colecção que, ano após ano, ganha sempre mais uma. Não sei. Uma dessas coisas seria. Gosto de deambular sózinha na Festa. Apesar de estar por lá sempre rodeada de amigos - os que levo comigo, os que reencontro todos os anos ou aqueles que, sendo camaradas são também amigos, ainda que desconhecidos - sabe-me bem curtir o espaço à minha maneira, sem rumo nem pressa.
Subia e absorvia aquele mundo à parte, os cheiros peculiares, a música omnipresente, os risos, a explosão de côr nos milhares de bandeiras hasteadas, nas roupas, nas olhos das gentes. E, de repente, o silêncio. Daqueles silêncios que, acho eu, se devem ouvir dentro de um aquário, quando os sons deixam de se ouvir para se passarem a sentir, difusos, ao longe e é como se passássemos a ser só nós sem ninguém ao redor.
Era eu e o Monumento. Só nós.
Na praça onde desemboca a avenida, lá no cimo, o Monumento atingiu-me com a força de um furação. Um monte de pedras, paralelepípedos. Bem mais alto que eu. Imponente.
Estavam empilhadas sobre um enorme lenço palestino.
Fiquei ali muito tempo parada, enquanto secavam as lágrimas que, de início, não consegui conter. O conflito israelo-palestiniano ainda estava bem fresco, na retina a imagem brutal daquele pai que tentou, com o corpo, proteger o filho das balas e não o conseguiu...
O singelo letreiro que apresentava a obra foi o culminar da comoção que me tomou:
"Em nome da todas as pedras
que compõem a tua pequena casa,
resiste,
resiste!"
Ontem, ao pesquisar na net as gravuras de Rogério Ribeiro, fui reencontrar esta memória aqui . E não mais a deixarei perder.

de rogério ribeiro 6 Setembro 2003
Passara-se numa Festa do Àvante à qual tinha perdido o rasto, eu a minha dificuldade em precisar datas do passado, mesmo que importantes para mim.
Eu sei que subia sózinha uma das avenidas principais da Atalaia, aquela que vai dar ao espaço da Cidade Internacional. Talvez fosse beber uma água de coco, comprar colares nas bancas de artesanato ou Matrioskas para engrossar a colecção que, ano após ano, ganha sempre mais uma. Não sei. Uma dessas coisas seria. Gosto de deambular sózinha na Festa. Apesar de estar por lá sempre rodeada de amigos - os que levo comigo, os que reencontro todos os anos ou aqueles que, sendo camaradas são também amigos, ainda que desconhecidos - sabe-me bem curtir o espaço à minha maneira, sem rumo nem pressa.
Subia e absorvia aquele mundo à parte, os cheiros peculiares, a música omnipresente, os risos, a explosão de côr nos milhares de bandeiras hasteadas, nas roupas, nas olhos das gentes. E, de repente, o silêncio. Daqueles silêncios que, acho eu, se devem ouvir dentro de um aquário, quando os sons deixam de se ouvir para se passarem a sentir, difusos, ao longe e é como se passássemos a ser só nós sem ninguém ao redor.
Era eu e o Monumento. Só nós.
Na praça onde desemboca a avenida, lá no cimo, o Monumento atingiu-me com a força de um furação. Um monte de pedras, paralelepípedos. Bem mais alto que eu. Imponente.
Estavam empilhadas sobre um enorme lenço palestino.
Fiquei ali muito tempo parada, enquanto secavam as lágrimas que, de início, não consegui conter. O conflito israelo-palestiniano ainda estava bem fresco, na retina a imagem brutal daquele pai que tentou, com o corpo, proteger o filho das balas e não o conseguiu...
O singelo letreiro que apresentava a obra foi o culminar da comoção que me tomou:
"Em nome da todas as pedras
que compõem a tua pequena casa,
resiste,
resiste!"
Ontem, ao pesquisar na net as gravuras de Rogério Ribeiro, fui reencontrar esta memória aqui . E não mais a deixarei perder.

de rogério ribeiro 6 Setembro 2003
Comentários
Comovente, de facto.
Enfim, cada um que lhe dê a sua leitura sendo certo que aqueles que andaram na mesma "escola" a decifram na perfeição. :-)