apetece retomar textos que escrevemos há muito tempo. Retocá-los aqui e ali, acrescentar pequenos nadas que apenas os adequam ao tempo presente.
Este foi escrito em Fevereiro de 2005, a propósito de um desafio, alguém que perguntava o que era a Cumplicidade. Eu respondi assim:
A cumplicidade é partilha, é liberdade e confiança.
É dizer um segredo ao ouvido de alguém como se fosse para dentro de um buraco cavado na rocha e tapá-lo com terra e ramos de árvore sabendo que ali ficará guardado, protegido.
É também segurança e tranquilidade porque é certeza. E as certezas dão asas.
A cumplicidade nunca é mentira, fingimento. É olhos nos olhos, transparentes, é sim quando é sim e não, sempre que fôr não. E é espaço, espaço aberto como a imensidão do céu, é ar puro e cores fortes numa tela, é uma peça onde os personagens existem sem amarras e sentem sem limites, porque a cumplicidade é pintada de respeito e de compreensão e de aceitação das diferenças.
É a porta da alma escancarada, todas as portas abertas para quem sabemos que irá entrar nelas com cuidado, pisando devagarinho para não magoar.
É a verdade dita com o peito cheio de sorrisos e "o coração dado nas duas mãos, abertas".(obrigado vague, por esta frase).
A cumplicidade "exige" dois lados, um em cada extemo da mesa de ping-pong. Requer o retorno de um deles, na medida igual àquilo que é enviado do outro.
E quando, enfim, se conquista, já não exige nada. Apenas existe. Sem perguntas ou respostas. Com actos.
Existe num olhar com que se fala tudo, ainda que dure fracções de segundo.
Existe no sorriso que se troca quando uma palavra, uma frase aparentemente simples para os outros, é afinal um segredo dito às claras, que só nós entendemos.
É quando Canção quer dizer Revolução, Grândola é Fraternidade e Gaivota, afinal, significa Liberdade.
Existe nos silêncios, quando se sabe que para tudo dizer não é preciso falar.
De início, dá muito trabalho a construir. Vão-se tecendo os pequenos fios que unem os amigos, com paciência e tempo e persistência. É uma maratona, não é uma corrida de 100 metros...embora também possa ter barreiras. Os elos são muito finos, tal como os fios de seda que brotam das aranhas. Mas, tal como estes, depois de bem presos nas duas extremidades que os ligam, são muito resistentes. Se somos, às vezes, desiludidos ou magoados esticam mas não partem, aguentam pesos várias vezes superiores ao seu e retornam facilmente à forma inicial, bastando para isso uma conversa franca, um sorriso, uma festinha no cabelo, um abraço apertado.
E é por isso que estes fios são preciosos e muito procurados por todos os caçadores de tesouros do mundo.
Quem os encontra nunca mais será o mesmo. Porque passa, a partir daí, a ter a grande missão de cuidar deles, de nunca os perder ou deixar roubar, de os manter brilhantes e sedosos.
A cumplicidade nunca oprime. A desconfiança sim.
A cumplicidade não esmaga ou limita. A falta de abertura, de diálogo, o medo de ser mal-entendido ou de entender mal, sim.
Este foi escrito em Fevereiro de 2005, a propósito de um desafio, alguém que perguntava o que era a Cumplicidade. Eu respondi assim:
A cumplicidade é partilha, é liberdade e confiança.
É dizer um segredo ao ouvido de alguém como se fosse para dentro de um buraco cavado na rocha e tapá-lo com terra e ramos de árvore sabendo que ali ficará guardado, protegido.
É também segurança e tranquilidade porque é certeza. E as certezas dão asas.
A cumplicidade nunca é mentira, fingimento. É olhos nos olhos, transparentes, é sim quando é sim e não, sempre que fôr não. E é espaço, espaço aberto como a imensidão do céu, é ar puro e cores fortes numa tela, é uma peça onde os personagens existem sem amarras e sentem sem limites, porque a cumplicidade é pintada de respeito e de compreensão e de aceitação das diferenças.
É a porta da alma escancarada, todas as portas abertas para quem sabemos que irá entrar nelas com cuidado, pisando devagarinho para não magoar.
É a verdade dita com o peito cheio de sorrisos e "o coração dado nas duas mãos, abertas".(obrigado vague, por esta frase).
A cumplicidade "exige" dois lados, um em cada extemo da mesa de ping-pong. Requer o retorno de um deles, na medida igual àquilo que é enviado do outro.
E quando, enfim, se conquista, já não exige nada. Apenas existe. Sem perguntas ou respostas. Com actos.
Existe num olhar com que se fala tudo, ainda que dure fracções de segundo.
Existe no sorriso que se troca quando uma palavra, uma frase aparentemente simples para os outros, é afinal um segredo dito às claras, que só nós entendemos.
É quando Canção quer dizer Revolução, Grândola é Fraternidade e Gaivota, afinal, significa Liberdade.
Existe nos silêncios, quando se sabe que para tudo dizer não é preciso falar.
De início, dá muito trabalho a construir. Vão-se tecendo os pequenos fios que unem os amigos, com paciência e tempo e persistência. É uma maratona, não é uma corrida de 100 metros...embora também possa ter barreiras. Os elos são muito finos, tal como os fios de seda que brotam das aranhas. Mas, tal como estes, depois de bem presos nas duas extremidades que os ligam, são muito resistentes. Se somos, às vezes, desiludidos ou magoados esticam mas não partem, aguentam pesos várias vezes superiores ao seu e retornam facilmente à forma inicial, bastando para isso uma conversa franca, um sorriso, uma festinha no cabelo, um abraço apertado.
E é por isso que estes fios são preciosos e muito procurados por todos os caçadores de tesouros do mundo.
Quem os encontra nunca mais será o mesmo. Porque passa, a partir daí, a ter a grande missão de cuidar deles, de nunca os perder ou deixar roubar, de os manter brilhantes e sedosos.
A cumplicidade nunca oprime. A desconfiança sim.
A cumplicidade não esmaga ou limita. A falta de abertura, de diálogo, o medo de ser mal-entendido ou de entender mal, sim.
Comentários
Não quero esquecer nunca isto...
" e é por isto que os fios são preciosos e muito procurados por todos os caçadores de tesouros do Mundo."
Vou registar este parágrafo no fundo do coração
Um de admiração por alguém conseguir descrever de forma inequivoca um sentimento que é meu, outro de frustação por não ter conseguido dizê-lo.
Subscrevo inteiramente.