melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
um blogue que fala de apanhar estrelas, beijar bonecos de neve e adormecer nas nuvens.

Comentários
E já me preparava para aplaudir, que este «visual» é muito melhor (que me perdoe o Victor Dias...) quando percebi que afinal é um outro.
Belíssimo.
E com o teu fundo, ainda sobressai mais a imagem.
O blog é lindo.
Ponto parágrafo.
Mas, ou por culpa do meu pc, [a resolução não é como devia ser talvez...] ou o formato que o blogger escolheu, só consigo ver um post de cada vez e tenho dificuldade em passar de um para outro.
(o facto de só se ver um post de cada vez é de propósito. se quiserem ver os antigos, basta navegar pelos arquivos...a média de posts é um por mês por isso cada um deles é quase um link para um post...)
obrigada*
ana
De nada e bem vinda.
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Emiéle, como vês a dona da casa já explicou o porquê e eu já dei o meu palpite. (faz lobby comigo, vá..) :-)
Pelo menos uma vez por semana, ou a pessoa desestabiliza-se toda com a falta.
De posts tão bons, naturalmente.
Por outro lado as arvores não me parecem as do Alentejo então nem sei mesmo se houve trigo naquele lugar.
De qualquer forma é uma foto lindissima.
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Não conhecia o "Le temps des cerises" mas fui logo espreitar e o que vi agradou-me muito vou voltar com mais tempo.
E esta frase foi proferido (diz-se) pela Mariana Alcoforada, da janela do convento que a aprisionava enquanto esperava em vão pelo seu amor. Nesse contexto faz todo o sentido, pois podendo aqui não ter havido trigo, na imagem da foto, da janela era o que ela mais avistava. :-)
Pois não é tarde nem cedo, hoje mesmo vou passar na Bertrand e ver se consigo comprar "As cartas de Soror Mariana Alcoforado"
Tem prefácio e tradução de Eugénio de Andrade e pinturas de Ilda David.
Acontece que mesmo sem haver o que fui procurar deu-me o vicio e gastei 60,00 aeruis em "D. Urraca" de Amália Gomez; "A Anã do Czar" de Peter H.Fogtdal e "Beatriz de Portugal" de Paula Cifuentes.
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Atão na ganhi ca brencadêra? 60 aerius assi dumassentada!
É cagora ando numa de romancis éstoiricos.
Entretanto os romances históricos até nem são muito o estilo que me prende, vê lá.
Boa desculpa para gastar mais uns trocos sem me culpabilizar pelo gasto.