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Apesar de o

Valupi considerar que "não chegámos a debater" eu acho que sim e, por esse facto, dei lá por encerrada a nossa troca de argumentos.
No entanto, acho por bem transportar para esta minha casa as opiniões que por lá fui deixando na caixa de comentários, até porque ainda aqui não me pronunciei sobre estas últimas estrondosas jornadas de luta dos professores mas não só, deste recrudescer da maravilhosa capacidade de reivindicar direitos por parte de um povo que se organiza, se mobiliza e desce à rua, que contesta, que exige, que alcança!
Também porque naquele debate há opiniões e conceitos que qualquer pessoa interessada deveria acompanhar.(por isso é que só expresso aqui a minha posição, quem estiver interessado que leia lá a história completa).
Por isso cá vai, em copy paste porque me apetece guardar por aqui as coisas em que acredito. Quem não tiver paciência para ler, veja as cores, tão bonitas que elas são.

(e depois não podia deixar passar em branco uma das mais deliciosas trocas de galhardetes entre mim e o
Shark mas essa tendes que a ler por lá se o quiserdes) :-)

Mar Mar 7th, 2008 at 21:50 (adoro o duplo Mar...)
Um texto muito bem escrito, sem dúvida. Muito generalizador também. Demais, na minha opinião, a de alguém que deu aulas ao ensino básico, secundário e recorrente nocturno, aleatoriamente, entre 1986 e 1992, em dezenas de escolas da Grande Lisboa e do interior profundo do País. Passando por centenas de reuniões de Conselhos de Turma, Conselhos Pedagógicos, Direcções de Grupo. Sob a alçada de dezenas de Conselhos Directivos, Executivos, chame-se-lhe o que se quiser. Nem sempre acontecia assim, como descreve neste bem escrito texto, englobando tudo e todos num mesmo saco que pretende passar a mensagem de que os professores são maus, néscios, influenciáveis, corruptos mesmo, diria eu. Muitas vezes acontecia as 5 negativas permanecerem após horas de reunião, sim, porque é para isso que elas servem e nos pagavam, debater em relação a cada disciplina com nota negativa a prestação do aluno. Quando ela era mesmo má, era má e ponto final. Quando a avaliação global, aquela que engloba mais do que númerozinho 2 escrito numa folha de teste, justificasse uma reflexão conjunta, ela fazia-se e a decisão final reflectiria o conjunto de ponderações feitas em relação ao aluno e às perspectivas de obter sucesso no ano para o qual fosse transitar. Quantos acompanhei, nessa transição, nesse processo de crescimento que, em anos subsequentes vinham a revelar, afinal, bons alunos onde antes tinha estado o miúdo distraído ou preguiçoso ou desmotivado. Só uma coisinha para terminar: nenhum professor que eu conheça refere que não quer ser avaliado. E muito menos pelos seus pares. Agora um profesor de matemática ser avaliado por um de Filosofia, ou vice-versa é que já não me parece muito credível…Já para não falar da “colaboração” dos pais e encarregados de educação no processo. O mesmos que invadem escolas e afirmam partir os cornos ao primeiro que lhes diga que o seu menino não pode atender o telemóvel nas aulas. Aí é que vamos ver o fartote de notas positivas, garanto-lhe.
Mar Mar 8th, 2008 at 12:34
Valupi, essa da “poderosa corporação” desatou-me um sorriso rasgado e deu-me vontade de desbobinar uma longa dissertação argumentativa sobre o meu desacordo (again). Como não tenho disponibilidade neste momento só digo que, claro que entendo que um testemunho pode ser diferente de outros, que os professores tal como as outras classes (os juizes são avaliados? dúvida minha, talvez burrice..) não têm que temer a avaliação, desde que a mesma seja feita com justeza, clareza, correcção (estou neste momento a passar na pele e a aplicar na de outros o temível processo do SIADAP) e que é precisamente a lacuna destes 3 factores que está em causa nesta (em mais esta) luta dos professores. Quanto às propostas alternativas ao modelo de avaliação, os sindicatos foram chamados pela ministra, numa lógica de democracia participativa, para dar palpites sobre a proposta?? (mais uma dúvida minha, talvez burrice…). :-)
Mar Mar 8th, 2008 at 19:42
Valupi, não estou de acordo.(again)Se eu fosse ministra (e já desempenhei um cargo político a uma escala ínfima desse mas, ainda assim, político - e também ligado à educação - jamais atiraria com um plano reformista que não tivesse por base a ampla e alargada discussão com todos os sectores representativos dessa classe. Depois, que tivesse por base essa discussão mas com objectivos sérios, de ouvir, aprender (porque alguém acredita que um ministro ou outro detentor de cargo político é um iluminado sabedor de todas as matérias? Só porque foi nomeado/eleito para isso? Quando tantas vezes provem de uma profissão que nada teve a ver com gerir processos e matérias que não conhece e tomar decisões que afectarão a vida de milhares de pessoas? Eu cá não. É para isso que em todos os Governos existe algo chamado assessores, técnicos, consultores e afins) e aplicar as propostas que daí adviessem (não falo, como percebes, de promover reuniões para chamar os orgãos de comunicação social e ter tempo de antena nos telejornais). Com toda a convicção te digo, esse pressuposto, o da honestidade e justiça, elimina-te toda e qualquer hipótese de “rebelião”. Mais, não sou eu que te digo, está historicamente provado.
Mar Mar 9th, 2008 at 14:04
(shark, deixaste passar em branco a deliciosa intervenção do rvn) :-)

Valupi:

A patinar só se fôr de forma artística, pelas evoluções que venho fazendo neste salão, desdobrando-me em explicitar o meu ponto de vista. É por isso que vou terminar por aqui as minhas intervenções porque penso que não há muito mais a dizer, posicionamo-nos em lados opostos e os nossos argumentos são diferentes não existindo grande disponibilidade para os acolher, quer duma quer da outra parte.
Mas ainda acrescento, apenas para terminar, que quase concordo contigo: uma decisão política é uma opinião parcelar, nem sempre obrigatoriamente contrária. E nunca disse que as tutelas têm que ser entregues a representantes das profissões, apenas que a competência para exercer a tutela não se ganha por divino voto ou nomeação, ganha-se com o tempo e a prática, no terreno, com o profundo estudo dos dossiers e com a colaboração dos tais acessores/técnicos especializados nas diferentes matérias. É claro que as competências académicas e profissionais que o candidato possua ajudam.
“Tu ainda não foste capaz de formular em que pontos da proposta ministerial está o ataque aos professores”.
Está nestes:
No topo da polémica está o Estatuto da Carreira Docente (ECD), que cria a categoria de professor titular e institui exames de acesso à profissão, …

- … e o sistema de avaliação que o ECD contém, com a criação de quotas para os professores que têm uma avaliação de Muito Bom e Excelente…
(igualzinho ao SIADAP. Alguém tem dúvidas que as quotas servem para o Estado poupar umas milhenas à conta da percentagem que fica de fora dos apenas 5% e 20% que podem anualmente progredir nas carreiras?? Que é apenas isto que está em causa nestas “reformas corajosas” de governantes que, tadinhos, não iriam agora comprar guerras inúteis a um ano das eleições? Mas estamos a fazer-nos de cegos?)

- Os horários de trabalho.

- O modelo de gestão e direcção escolar, que cria a figura do director da escola.

- O Estatuto Disciplinar do Aluno.

Não teremos tempo nem espaço e nem se justifica dissecá-los aqui. Mas tenho a certeza que a pessoa inteligente que está por detrás do nick, lendo atentamente todo e cada um daqueles items, no remanso do teu lar, irá decerto encontrar pontos de convergência comigo.
Foi um prazer debater contigo.


Comentários

Mazdak disse…
txiii, tanta coisa escrita...

gostei do que li, vou voltar.

hasta...
Mar disse…
Volta sempre que queiras, Dr, és benvindo por aqui.
Tanta coisa por escrever, também. :-)
cereja disse…
Olha Mar, só agora reparei numa nota que deixaste lá no meu blog e vi ver o que se tratava. Essa história da resposta (e escrita) de um pai ou mãe que insultava o professor do filho por ele não o deixar atender o telemóvel nas aulas circulou por aí, em FW na net, já nem me lembro a que propósito eu falei nisso mas era uma coisa pública.
Deste post do Valupi não li os comentários - tenho o defeito de que quando os comentários ultrapassam um certo número (e ainda por cima são muito extensos) eu bloqueio e não sou capaz de ler nada.

De resto desde sábado que por motivos pessoais, uns bons (recebi também lá os teus parabéns) outros tristíssimos, não tenho ligado a net.
Foi bom teres «pescado» para aqui os teus próprios comentários, assim consigo ler alguma coisa entre os duzentos e tais.
Mar disse…
Eu sei amiga, li-te lá, deixei-te um mimo, espero que estejas a seguir o teu caminho, como sempre fazemos quando nos falta mais um bocado.

A discussão sobre o tema dos professores deixou-me um sabor a pouco. Foi mais uma conversa de surdos, daí que tenha optado por transcrever para aqui as minhas posições, ao invés de escrever um post novo. :-)

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