melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós. É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...
Comentários
a dor dos sentir longe e entregues ao mundo,sem o nosso colinho a amparar as quedas, preocupações multiplicadas, fazer esticar o rendimento mensal até ao impossivel porque é preciso pagar o quarto, o passe, mas viagens ao fim de semana, as proprinas, as fotocópias, a cantina...
aí sim, suplantamo-nos e passamos mesmo a seres do outro mundo.
Beijinhos solidários.
(Maria Papoila)
Sim, nessa altura é que as "dores" começa de verdade. Porque tudo o que eu descrevo ali em cima não passa de uma forma maravilhosa de passar o tempo (pós-labora): acompanhar o crescimento daqueles que são os nossos mais que tudo. :-)
Beijos e obrigada pela solidariedade (logo te faço umas perguntinhas quando chegar essa altura)
E este comentário deixa-nos conversados quanto à questão da sanidade mental deste lado do cenário. :-)