que diz que nasce e morre todos os dias. E eu que não sei dizer as coisas assim bonitas como ela as diz, lembro-me das suas palavras a cada vez que sinto, também eu, que morri um pouco mais ou antes que tenho mais um luto a fazer. Fazemos vários lutos na vida. A cada morte física de alguém que amamos, a cada derrota, sempre que sentimos que falhámos, de cada vez que perdemos um amor, a cada fim de um sonho. E todos os lutos são iguais. Todos nos fazem, também a nós, morrer um pouco. Porque cada perda nos tira um pedacinho de coração que não volta a existir. Nunca mais é preenchido o espaço, cada pequena ferida que essa mágoa nos deixa aberta.
Seguimos em frente, voltamos a fazer-nos à vida e acabamos por ter que ultrapassar. Tornamos a tentar. Somamos partes novas às que já nos compunham, crescemos, enriquecemos, ficamos mais fortes e continuamos, com pessoas novas, amigos diferentes, sonhos redobrados, amores intensos. Outra vez.
Mas nunca esquecemos a pessoa que fomos, antes de nos roubarem bocados à bruta.
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