Avançar para o conteúdo principal

O auditório

já estava cheio ainda a mesa estava vazia.
Assim

*

Na cidade onde nunca nada acontece - dizem alguns - a vinda de conceituados jornalistas arrancou do remanso dos lares um grupo de gente expectante. À espera, tão sómente, de ver os rostos famosos da têvê, alguns. À espera de usufruir do privilégio que é ouvir, ao vivo e a cores, Carlos Pinto Coelho o comunicador nato, outros. Mas, a aguardar para verificar se o Rodrigo Guedes de Carvalho de um livro tão intenso como é "A casa quieta", aberto aqui à minha frente, é mesmo o apresentador engravatado de ar neutro e profissional, que nos entra pela casa dentro em prime time, muitos mais. E não. Não é.



À partida, o ar sério do período inicial de apresentações até poderia indicar que sim. Mas, depois de alguns minutos de idéias expressas na primeira pessoa, tudo muda. Ficámos a saber da sua infância, que queria ser escritor desde que era miúdo, do que espera de nós enquanto seus leitores. Soubémos que a família é o pilar de que não abdica, que não gosta de Paulo Coelho e que, quando se empolga solta para as conversas expressões de um humor irónico e subtil, outras de puro riso.



Disse-nos a todos que "os livros também têm que ter sorte. De chegar a uma pessoa na fase exacta em que ela é capaz de os entender. De não falhar aquele leitor".
E, a mim, que tem uma prima chamada Maria Manuel. Tenho a impressão que vou passar a ser a sua fanática número 11.** :-)

* Todas as fotos são da Mar.
** de uma sua referência a um escritor (que agora não me lembro quem é) que dizia não precisar de uma multidão de fãs desde que tivesse meia dúzia de fanáticos.

Comentários

Fátima disse…
Temos a sorte de ter na Biblioteca Municipal de Castro Verde, todos os meses, o Carlos Pinto Coelho, acompanhado de um escritor. Infelizmente, por motivos pessoais, não tenho podido acompanhar. Espero que voltemos a dinamizar o clube de leitura. Quem diz que nestas terras do interior não se passa nada, é porque está mal informado ou porque não se interessa realmente. O dinamismo cultural da Câmara Municipal de Castro Verde é já uma referencia do sul do país.
Anónimo disse…
Bela reportagem, Mar. No seu todo.
Mar disse…
As bibliotecas públicas têm-se transformado, de há uns anos para cá, saudavelmente, em grandes promotores culturais. Beja tem contado com grandes nomes da literatura nacional e internacional e quem não sabe é mesmo porque não se interessa, fatima. :-)
Mar disse…
Serviço público, shark, serviço público. ;-)
E gosto de deixar aqui registados os diferentes momentos de que se faz a vida nesta cidade e que a tornam tão especial e única.
Susete Evaristo disse…
Será que li "A casa quieta" num tempo em que não devia ? É que este foi um daqueles livros que me deixou deprimida sem vontade de voltar a ler, coisa que me acontece com tanta raridade que julgo ser a primeira vez.
Susete Evaristo disse…
Mais duas coisas:

1º. Não estou no Alentejo mas acompanho o que por lá se passa e se querem mesmo saber, é aí que a cultura é vivida com mais intensidade. Serpa, que é a minha terra tem uma vida cultural de fazer inveja a muita cidade do litoral.

2ª. Mar, cadê a foto com ou sem lantejoulas que disseste irias publicar?
shark disse…
(Sem, sem lantejoulas!)
Mar disse…
LOL!! Tou feita com estes dois.
Mar disse…
Susete:

1 - já ali tens as lantejoulas, as quais, por um estranho efeito óptico me favoreceram os...volumes esféricos, de uma forma...opulenta. Coisa esquisita...

2 - Acho que leste a Casa quieta no tempo certo. E a sensação que descreves é apenas a prova de que é um livro muito bom, muito bem escrito. O enredo vai-nos angustiando à medida que avançamos. Oprime-nos a constatação das vidas das pessoas normais, assim, incomunicáveis, incompreendidas, o pai que não se apercebe do filho, a mulher que esteve sempre lá para apanhar o sobretudo. É um livro intenso e que nos obriga a "ver" como somos falíveis. Daí o que sentiste.

3 - O alentejo é um sítio fantástico para se viver. A todos os níveis. :-)
Mar disse…
Shark, sem as lantejoulas era arriscar a que todos os leitores (os 3) fugissem. Nááá...
Anónimo disse…
Pois, pois. Chama-lhe efeito óptico... :-)
Mar disse…
Hum...será o mesmo do franciú? Anyway, asseguro que é mesmo efeito.
O...volume não é bem...assim. mais coisa menos coisa. :-)
Anónimo disse…
Oui, oui, madam. Ah le volume, le volume... :-)
Mar disse…
LOL! Este anónimo é castiço. Até estou a imaginá-lo, com uma boina preta e um bigodinho fininho..à franciú.
Anónimo disse…
Ficarria divinal, cherie. ;-)
Anónimo disse…
Alguns sapos da nossa praça mandam postas de pescada acerca de tudo e mais alguma coisa, mesmo sem saberem o que se passou, ou porque não estiveram lá ou porque sairam passados 10 minutos, mas, muito doutos,criticam e dão as noticias de uma forma despudoradamente vergonhosa.Depois ainda querem ser levados a sério como meios de informação....Acontecem destas coisas...
Mar disse…
:-)) (para o relativamente anónimo)

Anónimo: os meios de informação a sério são os que respeitam a ética e deontologia da comunicação, não os que funcionam com base em "pareceres", raivinhas, ódios e gostos pessoais. A diferença é só essa. E não está ao alcance de todos.

Mensagens populares deste blogue

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós.  É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...