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A Imperfeição do Amor

ums história de prodígios e espanto, de mistérios, maldições e de um homem que escrevia cartas de amor.
E de muito mais.





Nesses dias, se repararmos bem, não parece a Muda. Há uma alegria pueril que lhe assoma nos olhos, nos gestos, na forma como mexe nos cabelos, no prazer com que folheia os livros. Olhando para ela, que acabou mesmo agora de se sentar à janela, vemos uma menina na sua casa de bonecas, a brincar, esquecida do mundo, dentro do seu mundo. Um mundo que apenas se abre nos livros e nos raros momentos em que está sozinha. Ri, ri como ninguém imaginaria ser possível. Fecha o livro, encosta-o ao peito e olha o cemitério mesmo em frente com o seu muro branco, o portão de ferro e quatro ciprestes apontados ao céu ou ao coração do sonho. Umem cada canto, vigiando os vivos ou falando com os mortos, debaixo da terra, no lugar da terra e das raízes. No lugar dos mortos.

in A Imperfeição do Amor, Joaquim Figueira Mestre

Comentários

Anónimo disse…
Sem dúvida o melhor escritor da nossa cidade.
Susete Evaristo disse…
Espero impaciente o livro de Joaquim Mestre, está encomendado desde que tive por teu intermédio a noticia da sua existência. Gosto da escrita de Joaquim Mestre, como já tive oprtunidade de te dizer porque além de fluente, e acessível me transporta para muitos anos atrás, para os anos da minha juventude.
Mar disse…
Anónimo, se é o maior não terei a competência para avaliar, mas que não falta quem lhe teça os maiores elogios, figuras como Carlos Pinto Coelho e críticos literários do Expresso, isso não falta.
Mar disse…
Já está nas bancas susete e, no dia da apresentação aqui em Beja, pelo menos a Papelaria Lupinand tinha um bom stock deles..
Vais adorar garanto-te. ;-)

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