ums história de prodígios e espanto, de mistérios, maldições e de um homem que escrevia cartas de amor.
E de muito mais.
E de muito mais.
Nesses dias, se repararmos bem, não parece a Muda. Há uma alegria pueril que lhe assoma nos olhos, nos gestos, na forma como mexe nos cabelos, no prazer com que folheia os livros. Olhando para ela, que acabou mesmo agora de se sentar à janela, vemos uma menina na sua casa de bonecas, a brincar, esquecida do mundo, dentro do seu mundo. Um mundo que apenas se abre nos livros e nos raros momentos em que está sozinha. Ri, ri como ninguém imaginaria ser possível. Fecha o livro, encosta-o ao peito e olha o cemitério mesmo em frente com o seu muro branco, o portão de ferro e quatro ciprestes apontados ao céu ou ao coração do sonho. Umem cada canto, vigiando os vivos ou falando com os mortos, debaixo da terra, no lugar da terra e das raízes. No lugar dos mortos.
in A Imperfeição do Amor, Joaquim Figueira Mestre

Comentários
Vais adorar garanto-te. ;-)