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Os blogues

são como casas de portas abertas. Uma espécie de repartição pública, onde nos podemos dirigir para tratar de assuntos do nosso interesse (ou não) mas com a diferença de ter um horário de funcionamento de 24 sobre 24 horas.

Aqui, não é possível fechar portas e pendurar um letreiro para dizer que fomos almoçar ou tirar os calos ou lavar o carro. A não ser aqueles blogues em que se opta por fechar as caixas de comentários. Esses, são aquele tipo de repartição onde a malta vai um dia e outro e dá sempre com o nariz na porta. Depois, se quiser apresentar o seu assunto, envia por escrito em carta registada com aviso de recepção e logo se vê. São repartições que, de "públicas" só têm o nome. Geridas por direcções que põem e dispõem, produzem despachos e afixam editais e quem quiser come e cala. Quem não quiser, mais vale nem perder os passos a lá ir, pois que não tem margem de manobra para dar palpites. Aí, ou desiste e recorre à instituição mais próxima para ver se tem mais sorte ou apresenta requerimento superiormente, a protestar por ser mal servido.

Este blogue, não é desses. Está sempre aberto, chova ou faça sol, dia e noite. Atende toda a gente de igual forma, seja rico ou pobre, ande descalço ou use Dior e Versace.

A única coisa chata neste tipo de instituições é que todos os seus utentes estão sujeitos a ser enxovalhados por um qualquer pobre bêbado, um rafeiro pulguento ou uma rameira gasta e cansada, que ali resolvam acoitar-se. Poderiam até cohabitar pacificamente com todo o restante público, se fossem educados. Mas não. Porque não lhes ensinaram, não são capazes de descobrir onde acaba a sua liberdade de entrar e enxovalhar toda a gente e começa a liberdade de esperar sossegadamente, de todos quantos estão na fila, à espera de vez. Lembrem-se que a instituição nunca fecha as portas e também não tem seguranças do tipo gorila. É mesmo aberta ao público. Todo o público.

A única coisa a fazer é deixá-los espojar-se, até se cansarem. Não lhes dar conversa, não olhar para eles, ignorar os palavrões que lançam para o ar pois que sabemos que não se aplicam a nós. São delírios provocados pela visão deturpada dos desgraçados, nesse momento. Há-de passar-lhes, quando os vapores etílicos começarem a dissipar ou o corpinho precisar de reforço da dose diária de adrenalina e logo nos desamparam a loja quando tiverem que ir procurar formas de os tornar a repor.

Continuemos, pois, a ler a nossa revista, a ocupar a nossa vez quando formos chamados e a emalar os documentos em direcção a outro lado qualquer, depois do assunto resolvido.
A direcção encarrega-se de varrer o chão, limpar os sanitários e colocar flores frescas na sala de espera.

Comentários

shark disse…
Fónix, haja quem arrisque mandar vir o livro de reclamações... :-)

Concordo em absoluto contigo, considerando o que está em causa. E acho que fizeste muito bem em não alimentares o tom ordinário que alguém desses grupos que citas tentou semear na caixa aberta.
De forma cobarde (anónima), como alguém fez questão de salientar nessa infeliz ocasião.

E felicito-te por não reagires como este tipo de situação tenta provocar: de forma igualmente ordinária ou instalando "filtros" nas caixas (ou ainda abdicando das mesmas).
Mar disse…
Sou uma 'mecita' imune a esse tipo de provocaçõezecas, Shark. É o calo...;-)
Anónimo disse…
Fazes bem Mar, porque as baratas tontas e os escaravelhos o lugar deles é o esgoto!!!!!!!
Mar disse…
Faço, faço, anónimo/a, porque o que nem sequer existe, não me atinge.
jp(JoanaPestana) disse…
perdi o que, eu?
ai que não tenho tempo para nada
toma beijo
Mar disse…
Nada de relevante jp, só casos esquisitóides do quotidiano urbano blogueiro...;-)

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