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Há quem

crie blogues para si. Para usar como fiel dopositário do que lhe vai por dentro, como caixa arquivadora de poemas, músicas, fotos ou pensamentos que de outra forma se perderiam, na voragem dos tempos.Há aqueles que os criam para os outros, por detrás do nick da pessoa que não são mas talvez gostassem de ser, altos, espadaúdos, loiros e de olhos azuis. e vão vivendo a sua realidade dupla, tantas vezes com mais empenho com que vivem a vida analógica. Porque no blogue é que gostam de quem (não) são.
Há ainda os que criam um blogue por razões comerciais, uma espécie de mina, a galinha dos ovos de outro descoberta, afinaleratãofácil, e vai neles construindo o filme que mais audiências dará. Uns safam-se, outros não. Depende de um conjunto de factores físicos muito pouco aleatório. A vocação para escrever e assim...

Mas há um pequeno número de pessoas que cria blogues para dedicar a outros. E, espantosamente, é preciso alguém chamar-nos a atenção para isso, para que percebamos a importância de tal acto. Quando o mesmo, anos a fio, nos passou ao lado, ocupados que estávamos noutro tipo de reflexões mais prosaicas e menos filosóficas. E é só nesta altura, pela boca de outra pessoa, que percebemos como podemos ser tão injustos, egoístas, individualistas ao ter desmerecido tal gesto. Por via da negligência, do "tou noutra", ou "não tou nem aí" que a vida são três dias e eu já gastei um.
Não há justificação que desculpe a desatenção para quem assim se esforçou, sem pedir nada, sem gritar alto revoltas e mágoas, apenas tecendo palavras para dedicar a outrém. Blogues anónimos, que deixámos de ler, perdidos no pequeno peso que lhe atribuímos no meio de todas as nossas prioridades. Escolhidas. Assumidas porque sim. Porque somos sempre soberanos, nas escolhas que fazemos e que ninguém se atreva a contestá-las.
E é preciso vir outra pessoa, arguta, atenta, fazer-nos tomar consciência disto.
Não há dúvida que compensa ter quem nos analise as falhas e no-las aponte a dedo. Poupam-se muitos euros em psicanálise.

Comentários

Esther disse…
Não estou poupando não, ainda bem que são reais! rsrsr. Bj!
Mar disse…
Sem dúvida, Cris. O que eu quis dizer foi que, às vezes, os amigos fazem esse papel. E sem custos! :-)

Boas terapias, amiga.
Esther disse…
Obrigada, mar...Sabe? eu também pensava assim, em relação aos amigos, aí percebí que eles estão contaminados afetivamente e não ficam muitas vêzes insentos, claro, porque nos querem bem. Aí , resolví agir rsrsr ( tem outro motivo, quís dar um descanso 'a eles ! ) Bj!
Mar disse…
LOL! Assim eu compreendo, Cris. E é um facto que temos que ser nós próprias a buscar nossas soluções, apesar dos conselhos dos amigos. :-)
Anónimo disse…
Olá, Mar. Sem deixar mais comentário que um abraço.
Por agora...
Mar disse…
E é quanto baste, nina. Outro.

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