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Acho

um piadão aos estafados argumentos dos gajos que, não fazendo greve, sentem necessidade de se vir justificar, com uma retórica plena de nãos mas tambéns, ses mas talvezes, oras essas, emboras se nãos, e bla, bla, bla, quando toda a gente percebe que, o que está verdadeiramente em causa é uma de duas: ou apoiam os governos vigentes e as medidas que despoletam a realização das greves ou, não apoiando ou apoiando assim-assim, não querem ser conotados com os partidos políticos que se opõem de verdade aos ditos, ai os comunas comedores de criancinhas meu deus salvai-me do mal, e que mais activamente se manifestam contra os mesmos. Sim, porque há oposição e Oposição, não é...

Como se a greve não fosse uma conquista da democracia, não estivesse constitucionalmente defendida (ainda) e não representasse uma das poucas, se não a única, formas de o povo anónimo fazer ouvir a sua voz contra a tomada de gravíssimas medidas anti-sociais que só o lixam.
Como se aqueles milhares que aderem à greve o fizessem só porque gostam muito que lhes descontem um dia de vencimento, sabe Deus (até pareço religiosa...) com quantas dificuldades acrescidas por isso. Ou então, não esquecer o venenoso argumento, o fizessem porque gostam muito de laurear a pevide em vez de ir trabalhar ao meio da semana.

Como se não fosse através do recurso à greve que, ao longo da História (mas aprender isto para não fazer figurinhas tristes dá muito trabalho, tem que se perder bué da tempo no Google e ver fotos de gajas é muito mais fixe) os homens e mulheres alcançaram importantes conquistas ao nível dos direitos de que TODOS usufruem hoje: redução do horário de trabalho, benefícios na assistência médico-social, direito às reformas e pensões, estabilidade profissional, férias pagas e por aí...os mesmos que este Governo dito socialista anda, avidamente, a querer retirar. Os mesmos direitos que estes tótós aceitam perder, de rabinho a abanar, comendo e calando como bons e saudosos filhos de Salazar.

Ao menos que poupem os outros ao ridículo discurso com o qual a pouca inteligência os faz pensar que fazem boa figura.

Comentários

shark disse…
Ver fotos de gajas é sem dúvida mais fixe. Mas isto sou eu, pequeno empresário burguês, a falar
shark disse…
(Este post saiu-te mesmo da alma, pá...)

E melhor ainda é ver as gajas das fotos. :-)
cereja disse…
Está dito! E muito bem dito.
Com a maior franqueza o que também me irrita é a ‘sonsice’ de não assumir a coisa. OK, não concordam, ou não a fazem pelos motivos que disseste. Então defendam como possam essa posição. Mas as águas turvas de querer estar bem com Deus e o Diabo ao mesmo tempo é que não suporto. E aqui para nós é a maioria, porque dizer-se claramente de direita, tirando aquele atrasado mental da barbicha do famoso cartaz no Marquês, já poucos se dizem. Estão assim num ‘limbo’ esquisito que não é carne nem peixe
cereja disse…
By the way, oh Shark, uma coisa não será incompatível com a outra... Os grevistas fazem greve, não pregam a castidade monástica, isso são os outros.
:)
shark disse…
É incompatível sim senhora! A mim ninguém convencia a fazer greve se o meu trabalho fosse ver fotos de gajas (ou as gajas das fotos)! Era só o que faltava! :-)

(E eu não fiz greve porque o meu patrão não deixa. O meu patrão é que fez.)
Mar disse…
LOL! Ganda salganhada (esse patrão deve ser mesmo bacano, pá...) ;-)

E se lhe disseres, calhando o gajo até te arranja qualquer tarefa que tenha a ver com fotos de gajas, assim pessoas ou isso, sabe-se lá...
Mar disse…
Emiéle é isso, ser de direita hoje em dia, já não é tão "bem" como antigamnete, tirando aí a pequena minoria dos que aparecem em revistas da socialite...
O resto, os que apregoam essa cómoda indefinição da social-democracia, andam no tal limbo...a ver parsa onde pende.
Mar disse…
ai ai, é "para".
Anónimo disse…
Mar, sou pouco inteligente porque não penso como tu mas não sou cobarde ao ponto de virar as costas quando não tenho argumentos. Tenho espinha dorsal não ataco os outros pelas costas.
Assisti a algumas greves feitas antes do 25 de Abril por gente de fibra. Participei de algumas depois do 25 Abril. Não preciso de ir ao Google para saber o que é uma greve e, mais importante, o que consciência de classe, que é uma coisa que tu nem sabes que existe. Já que gostas tanto de recolher conhecimentos no Google tenta saber quem mais multidões arrastou ao longo da História. E por isso que não gosto de carneiradas, de gente prepotente, paternalista e preconceituosa.
Mar disse…
Folgo em ver que te chegou a frontalidade depois de eu ter posto as coisas claras no Charquinho, Maria. Assim, esgrimimos os nossos argumentos no sítio certo, sem envolver terceiros em ironias "corajosas".

Uma das coisas que lá referi, como leste, foi o motivo que me levou a escrever este post. Não irei mencionar o blogue em causa como é óbvio. Se enfiaste a carapuça, mais uma vez, paciência.

O resto está no texto, pelo que não irei repetir aqui o que penso.
PreDatado disse…
Li o teu post com seriedade e encarei a maioria dos comentários a brincar, mas eu não podia deixar pasar a oportunidade de referir - a sério - que aproveitei hoje o meu dia de greve para ficar no computador, aqui em casa, a ver fotos de gajas. E olha que é bem agradável.

(Um beijinho, há muito tempo que não dava aqui uma voltinha)
Anónimo disse…
!!!Mar como sempre, gostei de te ler. Conseguiste colocar o dedo na ferida, daí que alguem se encrespassem com a dor. Eu acho muita graça quando muitos se queixam das medidas injustas do governo mas depois nada fazem para mudar a situação. E neste caso, com maioria de razão tendo em conta as promessas eleitorais. Aliás é corrente ouvirem-se as vozes desresponsabilizando-se: "Eu não votei neles". Então eu respondo devem ter sido eleitos por obra e graça do espirito santo (aqui estou a imitar-te na religiosidade) tal como disse num comentário no Shark, não há da parte de certas pessoas "T......" para assumir responsabilidades e lutar contra estas politicas que lixam o povo, de que parecem não fazer parte.
Saudações a todos os GREVISTAS a LUTA CONTINUA.
Anónimo disse…
esta maria´deve ser uma ressabiada ou tem falta de pau.Detesto gajas mal fodidas....
Anónimo disse…
Eu também! Se dependesse de mim não havia nenhuma.
Mar disse…
LOL! Pré, mas eu não disse que não era bom ver fotos de gajas (falhou-me as de gajos...), o que disse é que essa actividade deveria ser complementada com umas quantas procuras de informação histórica e assim. ;-)

(E outro, que gosto muito de te (re) ver por aqui. Volta mais vezes.)
Mar disse…
Espantação já tive ocasião de ler as tuas intervenções e concordo em absoluto com elas, partilho exactamentye dos teus pontos de vista.
E subscrevo a idéia de que, as desresponsabilizações a vários níveis, são a forma mais cómoda de se estar na vida. Este Governo foi eleito, por uma MAIORIA ABSOLUTA que votou nele e devem ser-lhe pedidas contas do que prometeu durante a campanha. Não há aqui meios-termos. Eu, de certeza que NUNCA votei neles. O meu sentido de voto sempre foi e continuará a ser CDU/PCP. Quem votou, fez-nos o favor a todos de estarmos agora a sofrer as consequências desta nefasta política. Assuma cada um as suas culpas neste cartório.
Anónimo disse…
!!! Eu sei Mar, pois já deixas-te noutras ocsiões o teu sentido de voto bem expresso e é claro que sabes que eu também sou militante PCP. O meu sentido de voto é e será PCP/CDU nem outra coisa poderia ser, tendo em conta as vivências e conhecimento que tenho de situações passadas no Alentejo, aliás, bem perto de ti. E não sou comunista pós 25 de Abril mas de muito antes do ano da revolução.
Anónimo disse…
E a antiguidade é um posto!
Mar disse…
;-)

(antes da revolução eu tinha 8 anos mas tenho bem presente a memória do meu pai a ler livros e revistas proibidos e a conversar em casa com aminha mão sobre auqeles cabrões e a ter saídas estranhas quando não era horário de estar a trabalhar...

e, mais que tudo, da euforia que invadiu aquela humilde casa no dia 24 de Abril de 74) :-)
Uma beijoca
Anónimo disse…
No meu tempo também havia revistas proibidas mas divulgavam uma ideologia diferente... :)
Mar disse…
Hum...cheira-me que estaremos a falar de um outro tipo de tema em apreço, de facto...
Anónimo disse…
Aquilo que me incomoda mesmo é o facto de se encontrar sempre justificação para "apesar de concordar com os motivos não penso aderir porque..." ... e normalmente as culpas vão sempre para os sindicatos, ora porque não conseguem mobilizar as pessoas, ora porque são manipulados pelos partidos, ora porque os sindicalistas estão ali para se encher , portanto tudo é motivo para não fazer, desde que não se queira. No fundo, as criticas ao governo e aos problemas do mundo actual dão sempre belos temas para posts, fazem um brilharete nos blogs. Mas na hora H , o que fazem? Nada!
Há quem não faça greve porque o medo de perder o emprego se sobrepõe á necessidade de reenvindicar, outros porque o desconto de um dia de greve têm muito peso no orçamento da família,esses eu entendo. Mas quem ainda pode, tem obrigação de lutar para que todos um dia possam decidir livremente se devem ou não fazer greve.
Beijos Mar .
Mar disse…
É que é mesmo como dizes, maria papoila, excelente intervenção, lúcida.
Também não me é difícil compreender os que não podem MESMO aderir à greve. Agora os que se justificam da forma que tão bem descreves é que não me convencem.

E sim, porque um belo dia destes, com os processos, ameaças de despedimento, retaliações várias, fazer greve é bem capaz de passar a ser proibido...bem como outras coisas de que eles se hão-de lembrar. E é porque quero que os meus filhos sejam livres que não deixarei nunca de lutar.
Anónimo disse…
!!! Engraçado Mar tu tinhas 8 anos antes do 25 de Abril e eu tinha 8 anos quando comecei a revoltar-me contra o regime. Para mim nessa altura as histórias que me contavam era de arrepiar. Havia um empregado lá em casa, pessoa humilde mas que tinha sido deportado para Africa e me contava sobre a "frigideira" os "cachorrinhos" e sobre as torturas da pide, os cachorrinhos eram molas que colocavam nas unhas para que elas caissem de podres. Com 8 anos eu já ouvia a Rádio Portugal Livre, a Rádio de Argel e a Rádio Moscovo, tudo em onda curta e com um copo de água em cima da telefonia para criar interferências. Mas a minha admiração maior, nessa altura, era para Francisco Miguel, que em pleno tribunal se declarou CHEFE COMUNISTA e não Membro Comunista, como constava da acusação. Sem o conhecer, via-o como a um Hercules. Quando o conheci, na feira do livro, a minha admiração tornou-se ainda maior por ver a força da convicção numa estaura fisica como a dele. De facto os homens não se medem aos palmos mas pela sua estatura moral e ele era um HOMEM com H grande.
Mar disse…
Está tudo dito, Espantação. São assim os Homens Grandes.

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