Seremos os espaços que habitamos ou será antes que os fazemos, a esses espaços? Talvez seja que os vamos fazendo, com tempo, como quem tece um tapete de retalhos vários. O primeiro dia em que se acorda na casa nova, com cheiros que ainda não nos pertencem. O banho, demorado, num chuveiro que deita jactos por todo o lado. A vista da varanda, imensa, a perder de vista, lá por onde apenas se distingue a bruma das serras. Ao longe.
Vamos fazendo a nossa casa, à medida que dela nos apropriamos, quando já somos capazes de andar de noite pelo corredor, às escuras, sem bater em nenhum canto de móvel, quando estendemos a mão para o sítio exacto do interruptor, sempre que abrimos a porta certa do armário dos copos. Com o tempo, quando os cortinados estão todos colocados, de cada vez que abrimos a porta da rua e o aroma leve do nosso perfume ainda paira no ar, desde que saímos nessa manhã.
Haverá, decerto, uma altura em que já somos o espaço. Parece-me que há-de ser apenas quando tivermos amado nesse espaço, ou rido ou chorado.
Até lá, não.
Até lá, não.

Comentários
E deixo a marca da minha minha satisfação pelo regresso auspicioso neste sorriso virtual: :-)
Que a sintas tua bem depressa, rapariga.
Agrada-me saber-te indefectivel. Obrigada. ;-)
Mas claro que nem deuses, nem chefes, nem pais. Só os cães têm dono! E o meu nem sempre aceita esse facto na boa...
Bom dia, Mar. E votos de uma óptima semana de comemorações!
Não sei a que comemorações te referes mas é certo que tenho muito por onde escolher. E vou começar já a seguir por uma especial. (...) :-)