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Chegará o dia

em que eu hei-de, finalmente, convencer-me de que as coisas precisam de manutenção.
Há que entender, neste contexto, a coisa em sentido lato, o que engloba desde carros a pessoas, passando por casas e aparelhos eléctricos de todo o tipo, tamanho e função para que foram criados.
Quer isto dizer que, na minha perspectiva, os carros, por exemplo, foram feitos para enfiar gasosa no depósito e andar. E pronto. Deveríamos ficar-nos por esta função tão simples, ao invés de terem que inventar coisas tão absurdas quanto medir o óleo (isso serve para quê?) ou verificar regularmente as correias do motor (para que é que aquilo precisa de correias, anyway?) ou ainda, cúmulo do inconcebível, certificarmo-nos de que a coisa tem água suficiente (mas os carros não andam a combustíveis fósseis? Ou a electricidade? Para que raio querem eles a água?) antes de começar a sair fumo branco do capô (nem sei se é assim que se escreve mas é aquela coisa que tapa os anteriormente referidos ... vocês percebem).
Resultado, com tanta mariquice, aquilo nunca está como deve ser e acaba parado connosco ao lado (ainda por cima vestidos com aquelas coisas fluorescentes horrorosas) um número infinito de vezes, sem que a gente vislumbre sequer a possível causa. Pois se o depósito está cheio, senhores!
Enfim.
No caso concreto das pessoas, coisas de carne e osso, curiosamente, para além da manutenção de base (umas almoçaradas valentes, regadas a tintol, uns petiscos, umas q ... pois, a higiene diária e umas compras regulares em lojas de roupas de marca conhecidas), o seu funcionamento perfeito requer ainda um sem número de exigências disparatadas, desde terem que ser mimadas todos os dias com festinhas e beijinhos e abraços até termos que lhes dizer, às horas mais incríveis do dia ou da noite, que estão bonitas/bem-vestidas/despidas/ magras/sem borbulhas/sem pêlos/sem barriga/musculadas/que conduzem bem/que cozinham melhor/que são bons na cama/que o novo corte de cabelo está o máximo (se nem se nota!!) e por aí fora, aleatoriamente, consoante se trate de espécimes do género feminino ou masculino. Isto é muito desconcertante pois basta enganarmo-nos no pressuposto subjacente à pergunta que nos fazem - por exemplo, achas que tenho celulite?, supõe, ao contrário do que se possa pensar, não um simples "não" como resposta mas toda uma ode às infidáveis qualidades físicas e psíquicas do espécime em causa - para originar uma crise capaz de desmoronar um edifício de vinte andares. Tal como a questão, sabes onde pus as chaves do carro?, implica, para além de revirar a casa do avesso porque, efectivamente, as ditas desapareceram, ter que o fazer com um sorriso e acarinhando o distraído espécime, em vez de praguejarmos que , é sempre a mesma merda e depois eu é que tenho que arrumar tudo!, sob pena de o mesmo, depois de encontradas as malfadadas, amuar em definitivo e acelerar para bem longe para nunca mais voltar. E, convenhamos, dá um certo jeito ter um gajo em casa, nomeadamente, para obviar às questões levantadas no parágrafo anterior.
Isto da manutenção é mais complexo do que parece. E dá um trabalhão do caraças. Não se admirem, portanto, se alguém um dia destes tiver a genial idéia de produzir coisas descartáveis. Empacotadas a vácuo, higienizadas e normalizadas de acordo com os parâmetros da União Europeia. Com selo de garantia para um consumo regular de X meses até ao seu desgaste, altura em que deverão ser substituidas por equipamento idêntico, sem custos adicionais. Tudo em nome da redução, reutilização, reciclagem, controle de emissões poluentes e poupança de recursos finitos.



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Comentários

Anónimo disse…
Mar, falando em manutenção, o novo visual do blog ficou catita mas aquela coisa ali do lado direito que fala em paz, pão, povo e liberdade é o hino do PSD?... :)
Mar disse…
Cruzes, maria! vaderetro...é uma canção de Abril, do Sérgio Godinho e chama-se "Liberdade".
Pareceu-me ficar bem ali, nestes tempos em que o povo foi chamado a decidir e se pronunciou, através do voto. É temporária. Mas não faz mal recordar, recordar sempre.
;-)
shark disse…
Eu concordo plenamente com a minha douta colega e amiga.
Realmente é uma chatice isso da manutenção das coisas, pois obriga-nos a dispersar a pouca atenção que sobra e investi-la em insignificâncias como o mês da inspecção obrigatória do veículo ou a quilometragem pra mudar o óleo.
E faz falta mudar o óleo ou o motor gripa. E embora os motores sejam descartáveis (ainda há pouco tempo estive quase a comprar um novo) saem caros e são difíceis de encontrar (os bons).
Abaixo a manutenção e a quem (ao que) a exigir! :-)
Mar disse…
Ora aqui está um comentário que até dá gosto! E ainda por cima a concordar comigo. Agradecida pela explicação técnica da coisa caro parceiro e eu é mesmo a descartar (já ando a pensar trocar este uma vez que os barulhos esquisitos aliados ás "pancadnhas" de amor que lhe tenho dado já me andam a chatear.)
Anónimo disse…
Olá amei teu blog!
Já adicionei o seu link!
conto com o meu por ai também!
O começo de uma amizade e um começo de união para juntos salvarmos o planeta!
minha url é http://salveonossoplaneta.blogspot.com
conto com sua visita bjus Nádia Bonani*
Mar disse…
Obrigada Nádia. Passarei lá na sua casa. Salvar o planete é decerto um bom pretexto para nos unirmos. ;-)

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