Avançar para o conteúdo principal

Desvendamos as pessoas

devagar, como quem folheia um livro ou desdobra, folha a folha de celofane colorido, com cautela, um presente minuciosamente embrulhado. Por vezes apetece rasgar tudo de repente, expôr ao nosso olhar sôfrego o interior crú de quem nos interessa mais que tudo. Abrir fundo o coração de quem, para nós, é aurícula e ventrículo e sangue venoso e arterial, que nos enche o cérebro e o peito de oxigénio e suspiros. Enterrar as mãos, até aos cotovelos, nesse lago morno de sistemas circulatório e respiratório e bombear a nossa paixão directamente nas veias desse que, para nós, é ar e chão e alimento, esse sem o qual definhamos e mirramos e perdemos o Norte e mais valia que deixássemos de existir. Mas não. Continuamos a decifrar, com cuidado, aquilo que mais queremos e tememos conhecer. Procuramos sentidos e entrelinhas, perseguimos finais felizes, a moral da estória para dela retirar lições, aquelas que nos mudam e aproximam ou ensinam, da próxima vez, a não cair no abismo da interpretação errada e a ditar a sorte do resto das nossas vidas. Porque há sempre uma próxima vez...ainda que, de todas as vezes, se queira inscrever nas paredes a néon que agora é para sempre. Nunca é para sempre.
Por muito que, a cada nova página de ti que desfolho e interpreto, a cada sorriso que te adivinho a nascer nesse olhar macio de côr indefinida me apeteça que, desta vez, seja.

Comentários

amora disse…
já deu para matar as saudadinhas... beijinho Mar
Mar disse…
Escrevi a pensar que ias ficar contente quando o descobrisses, lindinha! :-)
beijinho-
maltes disse…
A beleza, a suavidade da tua escrita, encanta sempre.
Bêjo
Mar disse…
Fico contente que gostes Maltês. :-) De vez em quando sai uma inspiraçãozinha.

Mensagens populares deste blogue

Escrevo

melhor na sombra. Em busca de um pouco de silêncio, volto a esta velha casa, tantos anos ponto de encontro de anónimos, sem amarras, sem nós.  É dificil escrever sobre o medo num local onde se reúnem filhos, irmãos, amigos com rosto, uns mais outros menos, quase nenhuns verdadeiros, quase todos voyers àvidos de vidas que não sejam a sua, sobretudo se houver sangue. Sao salas ruidosas e cheias de tudo, música em loop, filmes da vida real e muita ficção, conversas cruzadas de quem só pede um pouco de atenção, imagens de mundos ao alcance de poucos, quanto mais exótico melhor. São espaços abertos, imensos, demasiado amplos, sem horizonte à vista, cheios de gente aos encontrões, como migantes perdidos em busca de um chão. Andamos por ali, uns e outros, deambulando em scroll, todos conhecidos, todos atores de um teatro que não baixa nunca o pano. E sem espaço para parar, cansados, sem sermos ouvidos, percebemos que só precisamos de um pouco de silêncio. De abrir de novo a represa e...

Esta coisa

nova eu eu descobri na minha mais recente mudança de template e que escarrapachei ali pró lado é muito útil! Eu, que apesar da minha teimosia e de aprender html à conta de muito queimar pestanas, nunca fui capaz de arranjar uma cena daquelas dos feeds ou rss's ou lá o que é e que serviria para me dizer quais os meus blogue(r)s favoritos que tinham acabado de publicar e quando. Nunca fiz a menor idéia de onde ir buscar tal coisa, se tinha que instalar software se não, se apenas teria que que aceder a um site tipo sitemeter, copiar códigos, sei lá, nunca descobri. Nem me esforcei muito, confesso. Apenas maldizia a minha sorte de cada vez que fazia mais uma ronda pelos favoritos e os descobria iguais, paraditos. Aparece agora esta funcionlidade, toda lindinha, no blogger que, diga-se em abono da verdade, tem feito algum esforço de modernização para se equiparar às outras plataformas teoricamente mais sofisticadas. E é ver, os meus favoritos todos ali ao lado, actualizados ao minuto. ...